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planeta reverte
rosas
innersmile
Tenho a impressão de que o Arturo Pérez-Reverte de vez em quando faz uns envios de uns romances para os outros. São quase como os cameos no cinema, personagens de um livro a aparecerem numa outra história. O primeiro caso que percebi foi no A Rainha do Sul. Há uma passagem, em que Teresa Mendoza está em Gibraltar, e vê passar um carro a subir em direcção ao Rochedo com um casal lá dentro. Quando li esse trecho lembrei-me logo da viagem que Tanger e Coy fizeram ao alto do Rochedo para se encontrarem com o salteador de tesouros afundados.

No livro A Pele do Tambor há um velho padre, Don Príamo, que defende com unhas e dentes a igreja barroca de ser destruída, sobre quem impende a acusação de, no passado, quando era um pároco rural, ter vendido arte sacra para conseguir dinheiro para as suas paróquias. Agora em A Tábua de Flandres, há um leiloeiro que, segundo uma das personagens, é suspeito de comprar arte sacra roubada das igrejas.

Claro que podem ser acasos, mas na literatura, como na vida dos romances da famosa best-seller nacional, não há coincidências. Além disso um leitor sabe, percebe logo quando aparece uma personagem que já conhece, ainda que seja de raspão. Acho deliciosa esta ideia de pôr as personagens a aparecerem, sem qualquer valor narrativo, noutras histórias que não aquelas em que protagonizam. Dá assim uma ideia de planeta revertiano, um universo em que habitam as personagens e as histórias criadas por um escritor.
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