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jacinta & nina
rosas
innersmile
Acho que tenho um caso de amor com a Jacinta. A sua voz e o seu canto encantam-me. Encontro neles um aconchego, uma tranquilidade que é exaltante, e não há nada nisto que seja contraditório. O canto da Jacinta acalma-nos, para nos levar à descoberta das nossas emoções mais íntimas e intensas. A sua voz não é divina, pelo contrário é humana ao ponto da comoção. Dito isto, parece-me que a Jacinta ainda não fez um grande disco, sendo o primeiro, o tributo a Bessy Smith, aquele que mais se aproxima dessa grandeza.

Tenho passado os últimos dias a ouvir Songs of Freedom, o último disco da Jacinta, uma colecção de canções, dígamos, inspiradoras, que vêem do universo da pop e do jazz (hits from the 60's, 70's and the 80's, é o subtítulo). Confesso que numa primeira audição achei o disco um bocadinho banal, mas aos poucos tem-se insinuado e já estou completamente agarrado a algumas das faixas. Mesmo àquelas que tinham originais ou versões praticamente definitivas, como as da Nina Simone (My Baby Just Cares e I Wish I Knew How), ou o Surfin'Usa, dos Beach Boys, em relação à qual parecia impossível fazer uma versão que trouxesse alguma coisa de novo à canção. Na verdade, agora que estou a pensar no disco, acho estou agarrado a todas as faixas e não apenas a algumas delas. Por exemplo, as duas versões que o disco traz de Redemption Song de Bob Marley (em gravação, com a formação que participa no disco, e em solo ao vivo) são absolutamente definitivas. Há versões inesperadas e mesmo surpreendentes, mas é melhor não as referir todas para não estragar o efeito surpresa (são onze temas em doze faixas, contando com as duas versões da canção de Marley).

Participam no disco dois músicos, Pedro Costa, no piano, a fazer a base ritmíca, e Paulo Gravato, em, saxofone, a servir de contraponto. Para adoçar a boca, aí fica um clip com uma gravação ao vivo da Redemption Song, a canção que marca em definitivo este disco e a cuja letra, de resto, foi buscar o título.



E já que estamos com a mão na massa, fica também um clip com uma participação assombrosa da Nina Simone numa edição do Festival de Montreux, a cantar, e a tocar, uma das canções que a Jacinta interpreta no seu cd, precisamente a I Wish I Knew How It Would Feel to Be Free. Não faz sentido nenhum comparar as duas versões, mas esta interpretação da Nina Simone está muito para lá do arrepio. De facto a única coisa que parece possível e apetece fazer perante isto, é mesmo cair de joelhos em terra e chorar compulsivamente. Chorar sem saber porquê, sem saber se é de tristeza ou de alegria. Chorar apenas porque no sabor salgado das lágrimas parece residir a essência da nossa alma e da nossa condição.

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