November 16th, 2009

rosas

the brothres bloom + the informant

Vi dois filmes este fim de semana e ambos tinham como ponto de partida a mentira e a ilusão, como matéria da vida, da ficção, e, o que era mais curioso, como matéria da própria narrativa.

The Brothers Bloom conta a história de dois irmãos, um que escreve argumentos para elaboradíssimos contos do vigário, e outro que os vive. Os irmãos tentam dar um derradeiro golpe do baú numa herdeira jovem, rica e ingénua, mas, talvez porque ela própria viva num mundo mais de faz de conta do que de realidade, as coisas não vão correr propriamente como planeado.

O outro filme foi The Informant, do Steven Soderbergh, em que Matt Damon dá corpo (e esta é uma daquelas vezes em que esta expressão tem pleno cabimento) a um executivo de uma empresa que pretende avançar na vida através de mentiras, enredando-se em imbróglios cada vez mais labirínticos por causa da sua compulsão para inventar histórias.

Os filmes são muito diversos entre si. O filme dos irmãos Bloom é quase uma fábula, cheio de referências literárias, com recursos narrativos extra-cinematográficos, um humor irónico mas terno, que vive muito dos ambientes que vai recriando e que são essenciais ao próprio universo dos protagonistas. Soderbergh, por seu lado, constrói um filme de argumento, em que toda a narrativa assenta no discurso, com um humor muito seco e que pretende ser um olhar frio, até um pouco cínico, para o mundo das instituições norte-americanas.

O que é então curioso é que ambos os filmes recorrem ao tema, o das mentiras e da ilusão, para criarem constantes cortinas de fumo em que nós os espectadores nunca conseguimos destrinçar o que é a realidade (enfim, a realidade da própria história) e o que são as fantasias que os seus personagens vão criando.