November 7th, 2009

rosas

no comboio

Hoje vinha a viajar de comboio e tive, acho que pela primeira vez, uma ideia para um romance. Claro que já me aconteceu muitas vezes ter ideias para histórias, mas foi a primeira vez, tanto quanto me lembro, que tive uma ideia tão completa, tão desenvolvida, com uma voz narrativa tão autonomizada e distinta. E audível: mal a ideia me surgiu, percebi logo com clareza que era uma coisa na qual eu estava interessado e que tinha pernas para andar. Claro que não a vou escrever, não tenho tempo nem, principalmente, disponibilidade mental, para me organizar e começar a escrevê-la. Mas mesmo assim fiquei contente. Sempre achei que nunca iria ser capaz de escrever um romance basicamente porque nunca tinha tido uma ideia para um, assim uma história que eu achasse que fazia sentido, e fazia falta, contá-la.

Claro que não vou aqui dizer do que se tratava, mas, até para fixar alguns detalhes importantes, registo que o tempo da narrativa seria um arco de dez anos, entre 1989 e 1999, e o romance teria três momentos. Começaria com uma espécie de epílogo feliz, depois teria uma enorme travessia no deserto, e terminava com uma redenção. Pronto, fica aqui anotado, pode ser que um dia ainda a venha a usar.