October 21st, 2009

rosas

o fio

Uma vez, ofereceram-me, dentro de uma caixinha de plástico e embrulhado em algodão, um finíssimo fio de ouro. Pu-lo de imediato à volta do pescoço e, com raríssimas excepções, nunca o tirei. Há uns meses, um dos elos partiu-se e mandei-o compor. Contei os dias em que não tive o fio posto. Parecia que me faltava qualquer coisa, mas o pior é que parecia que era eu que estava em falta. Há cerca de duas semanas o fio tornou a quebrar-se. Guardei-o dentro de uma caixa de louça, com motivos de Gaudí, que está numa prateleira de uma estante à entrada do meu quarto. Entre essa ocasião em que mo ofereceram e o pus de imediato e este dia em que guardei o fio de ouro, finíssimo, na caixinha de louça, passaram quase vinte e cinco anos. Mais de metade da minha vida.