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arena + taking woodstock
rosas
innersmile
Uma bela noite de cinema. Primeiro a curta-metragem Arena, de João Salaviza, galardoada no último festival de Cannes, e que é um belíssimo filme. Primeiro porque tem de facto uma ideia de cinema, e uma forma olhar o espaço muito rica, saturando-o de sentido narrativo. E depois porque o essencial do filme repousa no modo como se detém a olhar o corpo do actor, como se de tanto lhe observar a pele lhe pudesse captar a alma. Acho um bocado estranho nunca ter visto atribuir ao filme esse pulsar intenso do desejo, e das duas uma: ou vejo mais do que lá está, ou então a nossa hipócrita moralzinha continua a impedir-nos de referir o óbvio.

Ao contrário do que poderia indicar o que tenho lido por aí, gostei bastante de Taking Woodstock, o mais recente filme de Ang Lee. O filme, num tom de comédia subtil, conta a história, inspirada em factos reais, das pessoas que puseram de pé o festival de Woodstock, realizado em Agosto de 1969, e que permanece como um dos momentos essenciais da invenção dos tempos que vivemos. O que eu achei mais interessante no filme foi o facto de se centrar sempre numa história individual, a única que verdadeiramente lhe interessa, e ser sempre através dela que nos são dadas as pistas de reflexão sobre a importância do evento.

O filme tem vários pontos que me parecem muito positivos, a começar pela reconstituição da época, e passando por uma banda sonora muito estimulante. Não percebo de facto porque é que se tem dito tão mal do filme. Além de que tem outra coisa belíssima, que é um actor chamado Jonathan Groff que segundo li tem tido um percurso sobretudo ligado ao teatro, nomeadamente ao teatro musical, e que é tão lindo que até faz impressão.

Outro aspecto curioso é o filme ter muitas referências à homossexualidade, a começar, é claro, pela própria personagem principal, cujo processo de busca interior passa também pela descoberta da sua sexualidade. E é curioso porque é, assim que me lembre de repente, o terceiro filme do Ang Lee, depois do The Wedding Banquet e, claro, do polémico, e aclamado, The Brokeback Mountain.
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