September 27th, 2009

rosas

chéri

Estão em cartaz alguns filmes que eu gostaria de ver, mas como ando com o tempo muito apertado, só podia, numa aberta das ocupações familiares, ver um. Escolhi Chéri, sobretudo por ser do Stephen Frears, um realizador de que gosto bastante, mais pelo tipo de filmes que faz e por uma certa consistência narrativa, do que exactamente por ter feito grandes obras do cinema, apesar de alguns dos seus filmes o terem sido.

Além do realizador, outra boa razão para ver o filme é a esplendorosa Michelle Pfeiffer, que está deslumbrante no filme, num papel em que Michelle arrisca representar a idade madura, numa metáfora do que acontece às mulheres no cinema quando se aproximam da certain age.
Frears, Pfeiffer, uma história de sedução e amor, uma mise en scéne elegante que tenta marcar o filme do ponto de vista do estilo narrativo, e mais o Christopher Hampton a escrever um argumento que flui e que aposta na riqueza dos diálogos, são elementos que remetem, inevitavelmente, para o grande êxito que foi Dangerous Liaisons. Mais não fosse porque cada filme tem a sua época, parece-me que apesar de ser um filme que se vê com prazer intelectual, este Chéri fica muitos pontos abaixo do filme que nos encantou tanto há já 20 anos.

Como comecei por dizer, gosto muito do Stephen Frears. Acho que ele tem um domínio notável da narrativa, uma maneira elegante e lúdica de contar histórias, e uma capacidade muito grande de dar aos seus filmes um rosto muito humano. Dangerous Liaisons ou o magnífico My Beautiful Laundrette são filmes excepcionais, mas em geral os seus filmes são sempre consistentemente bons. Lembro-me do grande êxito que foi The Queen, dos filmes da sua fase Hollywood como The Grifters, High Fidelity ou The Hero, entre outros. Além disso o S. Frears fez ainda um dos filmes da minha vida, o Prick Up Your Ears, a biografia do dramaturgo inglês Joe Orton.