September 7th, 2009

ghostrain

kapoorchand

A bordo do comboio nocturno para Jaipur, Paul Theroux pergunta a Kapoorchand se ele tem mais teorias que gostasse de lhe dar a conhecer. Teorias acerca de tudo, note-se. Prédicas, lições, dogmas, pérolas de sabedoria, que, segundo Theroux, têm a função, não de converter o interlocutor, mas de lhe mostrar o quão pouco ele sabe da vida.

Nesta fase da conversa Kapoorchand já tinha desenvolvido teorias acerca das cebolas e dos alhos, das cenouras e dos tubérculos em geral, dos iogurtes, das bananas. E dos apertos de mão, e da sua relação com a determinação do género sexual dos filhos.

Perguntado se tem mais teorias, Kapoorchand despende mais esta:

«Those who become angry but do not express their angerness, get sick. Many die of cancer. They hold their angerness inside their body and it kills them.»

Acho que Kapoorchand tem inteira razão. Isto vindo de um tipo que teve um cancro aos vinte e poucos anos e que se safou, mas que tem o péssimo hábito de internalizar toda a raiva e toda a fúria. Por outro lado, tranquiliza-me a ideia de que acredito, e tento sempre praticar, uma das orações que Kapoorchand recita nas suas três horas diárias de meditação:

«I forgive all beings.
May all beings forgive me.
I have friendship with all.
And vengeance with none.»