September 5th, 2009

rosas

aġadīr, 09 / 7 (fim)

21.8.09

Último dia de férias. O regresso é só amanhã, à noite, mas esse será já o dia da partida. Este ainda foi inteiro e nosso.
Há uma certa atmosfera de fim de festa, e não é só pelo final das férias. Os dias de ontem e hoje foram feriados nacionais. Ontem, o dia da revolução, hoje o aniversário do rei, festa da juventude. Esta noite a hora atrasou-se. Os marroquinos preparam-se para o Ramadão, que começa amanhã. O verão está a empacotar-se. Regressam os emigrantes, a França. Os turistas começam a estar a mais.

De manhã voltámos ao souk, para um passeio mais descontraído, e para mais compras. Comprei lembranças e, para mim, um frasco de perfume, em vidro amarelo. Depois fomos visitar o museu municipal do património amazighe, dedicado ao quotidiano e à arte dos povos da região, com uma magnífica colecção de joalharia berbere.

O resto da tarde, como o brouillard se manteve o dia todo, ficámos pelo hotel, entre o bar e a piscina, a preguiçar e a ler.

Foram umas férias calmas, tranquilas, mesmo para descansar, como eu estava a precisar. Gastei mais dinheiro do que estava a contar, mas é irresistível comprar coisas sobretudo para a casa.
Para além do descanso, foi também o meu primeiro contacto com Marrocos, e foi bem melhor do que estava a contar. Acho que vinha com expectativas baixas, e isso ajuda sempre a desfrutar melhor. Fiquei com vontade de voltar, de conhecer as grandes cidades do norte.
Gostei dos marroquinos. Achei-os amáveis e com sentido de humor. Nalguns aspectos eles e nós, somos parecidos. Portugais et marroquins sont pareils, como me disseram, mais do que uma vez. Acho que eles nos vêem como uma espécie de marroquinos a quem a sorte sorriu e fez nascer do lado afluente do estreito.
Uma experiência sempre interessante é conhecer a perspectiva da história de povos com quem tivemos conflitos e antagonismos. É sempre uma lição de modéstia ouvir falar dos portugueses, do ponto de vista histórico, como os perdedores das tentativas de hegemonizar Marrocos. Talvez também por isso simpatizem connosco, ao contrário do que acontece com Espanha ou França, em relação a quem sentem desconfiança.