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aġadīr, 09 / 5
rosas
innersmile
19.8.09

De novo em Agadir. O regresso de Marraquexe foi por Essaouira. No caminho, logo a seguir à encruzilhada de Chichaoua, parámos num kasbah e eu comprei um tapete. Amarelo, cor de açafrão.

Gostei muito de Essaouira. A Medina é fantástica, o porto antigo é mágico. Gostei muito da cidade. Gostei da zona próxima do porto, branca e azul, com o tom cosmopolita das cidades portuárias. Gostei do mercado do peixe, lá em cima, numa travessa lateral à rua principal da Medina. Gostei dos barcos de pesca artesanal, todos alinhados, como um tapete azul, tecido em relevo.

As viagens de carro foram longas, mas muito interessantes. Contava com uma certa monotonia, mas é incrível porque parece que o facto de a paisagem se manter inalterada durante tantos quilómetros, nos torna mais despertos para tudo o que a risca ou rasga.

E depois parece haver um certo sentido da solidão. Uma solidão estóica, nada melancólica, ainda que um pouco romântica. Sempre surge uma figura humana. Uma jallaba escura na luz solar que quase fere num deserto de pedras. Parada, de cócoras á beira da estrada, como se o tempo não fosse inclemente. A dar significado à espera. Ou a caminhar apressada, um ponto quase minúsculo na distância. As casas, às quais, suponho, o ar desabitado dá carácter.
E até isto: cabos eléctricos estendem-se de poste em poste, atravessam a estrada, a perder de vista. Em toda essa extensão, um único passarinho, pousado na equidistância entre duas torres de metal. Nenhum outro à vista, apenas um único passarinho, pequeno, um tufo minúsculo de penas escuras. Que estoicamente resiste à solidão da paisagem.
Mais do que tudo, até agora, mais do que a babilónica Marraquexe, o que me impressionou foi esta paisagem de solidão, feita de torvelinhos de poeira levantados pelo vento. De pedras que parecem nascer do chão, como vegetais, e de árvores quase secas, que se estendem ao ar em impossíveis contorções de esculturas.







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do lado de fora
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innersmile
Quatro dias num hotel estupendo, no meio de uma mata, perto da praia, a dois passos de Coimbra. Tranquilidade total, a preparar o regresso ao trabalho, a partir de amanhã. Esta segunda quinzena de Agosto foi compensadora: uma semana em Marrocos, passagem por casa para tratar de assuntos deixados para as férias, e a finalizar estes dias de descanso. O verde intenso dos pinheiros e dos relvados, o azul profundo do céu, e o azul fresco da piscina. Pequenos-almoços ricos e variados (acho que não deixei nada por provar, na mesa do pequeno-almoço), almoços frugais, e jantares demorados e bem servidos.
Mas o melhor destes quatro dias foi vê-la feliz. Descansada, solta, a gozar cada minutinho. Mesmo aqueles em que, sobretudo de madrugada, a vida nos lembrava de que também é feita de angústia.













edit: para os eventuais interessados, trata-se do aparthotel do aldeamento Mira Villas, junto à Praia de Mira.