August 10th, 2009

rosas

transiberiano

Fui ao cinema no fim de semana, ver Transsiberian, um thriller realizado por Brad Anderson (só conheço dele o filme Maquinista, com o Christian Bale). Não é mau, e apesar de lhe faltar algum nervo, há momentos em que a tensão está bem construída. Tem inclusivamente alguns momentos hitchkockianos, nomeadamente naquele aspecto do falso culpado, da personagem que começa a inventar uma história para solidificar a sua inocência e depois fica enredada na sua própria mentira. Aliás, há uma frase no filme dita pelo personagem do Ben Kingsley que é fantástica, e que diz qualquer coisa no género: Tu podes ir longe com mentiras, mas não consegues voltar para trás.

Ah, o Ben Kingsley. É uma das razões para ver o filme, nomeadamente na segunda parte, em que ele está quase sempre presente. É muito fácil para o BK ser cabotino, tem um registo muito marcado e basta-lhe ligar o piloto automático para aquilo sair certo (é uma marca de um certo tipo de actores ingleses, como o Jeremy Irons ou o Anthony Hopkins); neste filme o BK consegue, pelo menos grande parte do filme, evitar isso, e pôr verdadeira convicção na sua personagem.

Outra coisa engraçada no filme é ele passar-se quase todo em comboios e em estações ferroviárias, pelo menos para quem, como eu, gosta de comboios. Não sendo propriamente um 'whodunnit' à La Christie, tipo Crime no Expresso do Oriente, o comboio dá não apenas a atmosfera claustrofóbica necessária ao thriller, mas inclusivamente um certo insight para o ambiente social da sociedade russa na era Putin.