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bruno
rosas
innersmile
Não vi nem o Ali G nem o Borat, os filmes-personagem que o Sacha Baron Cohen fez antes deste Bruno, apesar de, é claro, estar familiarizado com as personagens, por causa dos programas de TV. Não sou grande fã do humor do SBC, embora me agrade um certo lado subversivo. Mas o facto de esse humor se basear muito em pôr os outros a ridículo, mesmo quando eles merecem, deixa-me quase sempre incomodado. É um humor que está muito próximo da humilhação e se há coisa que não suporto é ver alguém ser humilhado.

Fui então ver o Bruno porque tinha vontade de ver como é que ele utilizava a homossexualidade da personagem. Não estava à espera que o filme tivesse uma leitura muito plana acerca do assunto, nem gozando abertamente com os clichés ligados aos homossexuais, nem, pelo contrário, pondo a ridículo a homofobia. Ou seja, não me parecia que o filme tivesse uma leitura política. O que de facto acontece. O humor de SBC funciona demasiado como um rolo compressor para conseguir salvaguardar muitas subtilezas, apesar de ser um humor mais inteligente e mental do que parece.

Para falar com franqueza acho que o SBC utiliza demasiado o sexo como elemento desencadeante das situações. Não que isso me choque pessoalmente, mas acho que tem um efeito perverso: muitas vezes o filme esgota-se nesse incómodo, e o facto de ser todo construído sobre isso faz com que haja uma certa dissipação do cómico. Ou seja, ser provocador só faz sentido quando se pretende obter mais qualquer coisa do que uma simples reacção. É um terreno perigoso, o do provocador: raras vezes consegue ser subversivo, a maior parte delas limita-se a ser um chato.

Sinceramente acho que é sobretudo isso que acontece ao Bruno.
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