June 29th, 2009

rosas

de volta ao cinema?

Para aí há três ou quatro meses que não punha os pés numa sala de cinema. No sábado, para recuperar, vi dois filmes. Mas não sei porquê quer-me cá parecer que depois deste interregno o jejum cinematográfico vai continuar.

Vi Rudo Y Cursi, uma comédia made in Mexico, realizada por Carlos Cuarón, irmão do Alfredo Cuarón que realizou Y Tu Mamá También, e que é um dos produtores deste filme juntamente com o Alejandro Gonzáles Iñarritu e o Guillermo Del Toro. Ou seja, assim uma espécie de Tacowood system! Apesar de não ser um filme brilhante, e do plot ser uma assinalável colecção de clichés, o resultado é divertido e simpático. A verdade é que os filmes resultam sempre mais divertidos quando não é visível um grande esforço para terem piada, e é este o caso deste filme, que é sempre (ou quase sempre) muito cool na sua vocação de comédia. Claro que parte significativa da simpatia repousa no carisma dos dois actores principais, o Diego Luna e o Gael García Bernal. É certo que estão ambos, sobretudo o Diego Luna, a representar papéis que contrariam a imagem de jovens galãs que Hollywood lhes tem colado, mas quando se é tão jovem e tão giro, como são estes dois (e com uma narrativa que não se impõe com muita força), é um bocado difícil que isso não passe para o ecrã. O Guillermo Francella no papel de Batuta, o manager descobridor de jogadores, impõe-se sempre que está em cena e rouba o filme aos galãs com a maior das tranquilidades, e até algum cabotinismo.

O outro filme que vi foi Coco Avant Chanel (o título é fantástico, porque enuncia o filme sem denunciar o seu conteúdo), uma quase bio-pic sobre a famosa criadora de moda francesa. E digo quase porque o filme parece estar sempre mais interessado em criar um quadro de filme romântico (para intelectuais, ainda por cima) do que em prestar verdadeira atenção à personagem da Coco Chanel. E é pena, porque ao fazê-lo arrasta-se pelos sítios errados, e torna-se um pastelão muito razoável. O melhor do filme, hélàs, é mesmo o que consegue sobreviver de Coco Chanel, do seu espírito revolucionário no mundo da moda, e do modo como essa sua visão nasceu da confluência entre talento e circunstância, como de resto suponho que aconteça quase sempre.
Apesar de tudo o filme tem algumas coisas entusiasmantes, nomeadamente a personagem de Balsan, representada por Benoît Poelvoorde, e a própria composição da Audrey Tatou (para quem se quis construir um chamado filme-veículo, projecto claramente fracassado).