?

Log in

No account? Create an account

white works
rosas
innersmile
Não sou um especialista, nem sequer um amador à séria, mas diria que raras vezes a música jazz feita em Portugal conheceu tantos músicos, e tantas possibilidades de chegar ao público, através dos discos e dos concertos. Hoje em dia é possível criar uma discoteca razoável feita apenas com músicos nacionais, cobrindo diversas correntes e os diferentes instrumentos.

Porque gosto muito de piano jazz, chamam-me particularmente a atenção os pianistas, e em Portugal há muitos e bons. Tantos, que os nomes, mesmo daqueles que já tivemos oportunidade de assistir ao vivo, nos vão escapando. Ainda um dia destes, no concerto da Amélia Muge, a descoberta do Filipe Raposo. Aqui há uns meses, o Luís Barrigas, a acompanhar a Marta Plantier. O Rui Caetano, que eu ouvi a acompanhar a Jacinta. O Filipe Melo, que tem um disco, e que eu ouvi tocar ao vivo num 'celeiro' em Pereira do Campo. O Ruben Alves, mais conhecido das andanças televisivas, mas que tem um disco muito bonito, Súbito. E isto, claro, para já não falar nos incontornabilíssimos (a palavra não existe, mas é para isto que passa a existir) Laginha e Sassetti ou no galáctico Pinho Vargas.

Vem tudo isto a propósito de um cd que comprei no fim de semana, White Works, do João Paulo Esteves da Silva, de quem já tinha o anterior Memórias de Quem. Partilha com este o facto de serem ambos discos de piano solo, mas enquanto o disco anterior era de improvisação pura, este White Works é composto quase integralmente (e o quase é porque há três improvisações) por temas da autoria do contrabaixista Carlos Bica (outro nome muito muito grande do jazz nacional), que o João Paulo recria e transforma.

Estou absolutamente apaixonado por este disco, que é de uma beleza intensa e subtil, aproveitando da música de Carlos Bica um certo lirismo mais contemplativo do que introspectivo.
Tags: