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were the world mine
rosas
innersmile
Não me anda nada a apetecer ver filmes. Há mais de três meses que não vou ao cinema, e nem em casa tenho visto. Quer dizer, de vez em quando começo a ver um filme, mas normalmente desinteresso-me e nem acabo de o ver. É um bocado estranho, eu adorava cinema e via filmes em barda, e agora simplesmente não me apetece. Isto para dizer que um dia destes vi um trailer e despertou-me a curiosidade. Consegui arranjar o filme e vi-o todo. Ok, em duas prestações, mas mesmo assim já é um avanço.

Apesar de não ser um filme extraordinário, Were The World Mine é um filme curioso, nomeadamente porque junta uma série de ingredientes e fá-lo de um modo feliz. O filme conta a história de uma turma escolar que se prepara para levar à cena a peça Sonhos de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare. O protagonista da peça é um rapaz homossexual que a mais de ser gozado e perseguido pelos atletas da escola, está secretamente apaixonado por um deles.

O primeiro aspecto interessante do filme é todo ele, a história, as peripécias, as personagens, o próprio tom da narrativa, decorrer sob o signo da peça de Shakespeare. Além disso, filme representa um trabalho exaustivo sobre o texto da peça, que está presente, por exemplo, nos diálogos ou nas letras das canções. Sim, porque, e isso é outra coisa interessante, o filme é um musical, ou pelo menos tem alguns números musicais, que mais do que ilustrarem a história, fazem mover a narrativa. Finalmente, todo o universo de Midsummer Night's Dream é adaptado para um contexto gay, focando o filme sobretudo os aspectos relacionados com a dificuldade de realização afectiva dos adolescentes homossexuais e com o modo como lidam com o preconceito, nomeadamente por parte dos seus pares.

Além destes aspectos, há ainda outros que contribuem para que Were The World Mine seja um filme simpático, nomeadamente uma certa honestidade indy, em que a escassez de recursos é sempre ultrapassada com eficácia, e até algum arrojo narrativo, e que se nota igualmente na prestação dos actores. Também gostei do modo como o filme junta os universos do musical e do filme passado em escolas masculinas, nomeadamente através das coreografias baseadas nos movimentos de certos desportos. Quer dizer, não estamos propriamente a falar de coreografias à Busby Berkerly, mas pronto, estão divertidas e minimamente originais.
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