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astedixie, krokodillos, alice in dixieland+jacinta
rosas
innersmile
O festival de jazz Dixieland, cuja VI edição termina hoje em Cantanhede, tem características engraçadas, a principal delas é ser um festival verdadeiramente popular, o que é notável tendo em atenção que o jazz não é propriamente a mais fácil das músicas. É certo que o dixieland é um género divertido e acessível, mas mesmo assim é extraordinário ver a música jazz a chegar e a misturar-se com as pessoas: nas aldeias ao redor de Cantanhede onde se organizam concertos, na verdadeira dimensão de rua que o festival comporta, nas noites onde há música junto às barracas de comes & bebes, no facto de a maior parte dos eventos serem gratuitos, na adesão das pessoas. E, por fim, nos concertos na tenda Dixieland, cheia de um público animado e muito barulhento.

E tudo sem correr o risco de o carácter popular da festa prejudicar a componente musical e jazzistica do evento. Ontem os três concertos da tenda foram todos eles muito bons. Começou com a banda portuguesa (é incrível a quantidade de músicos que se dedicam ao dixieland) Astedixie, da Lousã, que pratica um jazz leve, divertido, descomprometido, e muito animado.

A seguir actuaram Los Krokodillos, uma banda sediada em Barcelona e liderada por um russo. Foram, na minha opinião, a melhor banda da noite, um naipe de músicos fenomenal, com solos muito ricos e entusiasmantes, um repertório fácil ainda que não propriamente óbvio, mas nunca facilitado na execução.

Finalmente as Alice in Dixieland, uma banda holandesa inteiramente feminina, que tiveram como special guest a Jacinta. Um verdadeiro mimo para os espectadores, e o milagre sempre renovado de ver músicos que se conheceram poucas horas antes a conseguirem um nível de entrosamento e de cumplicidade notáveis. As AiD diversificam a sua prestação jazzistica, fogem ao dixieland e aproximam-se dos combos e das big bands do jazz mais clássico, que completam com harmonias vocais muito bonitas, a lembrar as bandas dos anos 40 e 50, tipo Andrew Sisters. Não sei se por necessidade de acertar repertório com a Jacinta, ouviu-se muita Bessie Smith, o que é sempre uma coisa extraordinária.

No fim dos concertos ainda ia haver uma jam session, mas confesso que já era tão tarde que tive de recolher. Esta coisa de ser um assalariado com horário fixo arruinou-me completamente a capacidade de ficar até muito tarde sem cair numa soneira praticamente comatosa.
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