June 5th, 2009

rosas

joe mcphee

Fui ontem à noite ao Museu Machado de Castro para ouvir um concerto a solo de Joe McPhee, integrado no festival Jazz ao Centro. Casa cheia, o que nem sempre é bom: pareceu-me que a lotação da sala foi largamente ultrapassada, o ambiente estava abafado e muito quente, e além disso, como eu sou claustrofóbico, estava um bocado nervoso com a quantidade de gente que tinha de passar por uma única porta, em caso de emergência. Apesar do sítio ser muito bom, aquela sala não me parece muito indicada para acontecimentos que levem mais do que, sei lá, umas 30, 50 pessoas no máximo.

Quanto ao concerto, foi muito bom, apesar de não ser propriamente fácil. Joe McPhee, do alto dos seus quase 70 experientes anos, pratica um free jazz que procura os limites da música, do som, e do seu instrumento. Este concerto de certa forma pôr em evidência o método: procurar, ou melhor convocar sons e trazê-los para a música, ou se calhar, melhor ainda, procurar a música que existe fora da música e trazê-la para aquilo a que chamamos música. Houve alturas (melhor seria ouve alturas) em que McPhee com o seu instrumento parecia um xamã, invocando o mundo, através dos seus sons, para com eles construir uma espécie de êxtase. A próximidade com o músico, a espontaneidade dos temas, até a fisicalidade do músico, proporcionaram ao espectador esse raro milagre de poder ver a arte em construção, despojada da sacralidade sempre distanciadora do palco. Uma óptima noite.