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gota d'água
rosas
innersmile
Estes últimos dias têm sido muito desgastantes, um sufoco que às vezes quase se transforma em asfíxia. O resultado é que ando um pouco exilado de mim e, par consequence, aqui do caderno diário. Tenho algumas coisas que quero pôr aqui, mas precisam de ser organizadas, e falta-me tempo e disponibilidade para isso.
Entretanto, há cerca de um mês tinha comprado bilhetes para o musical brasileiro Gota d'Água, muito por insistência da minha mãe, que não perde um oportunidade para arejar. Organizou-se um grupo e fui comprar bilhetes, para a última fila, a única que tinha lugares disponíveis. Conclusão, fomos todos menos ela, que continua internada no hospital. À vida não lhe basta ser difícil, ainda tem de ter estes requintes de cruel ironia.

Gostei muito da peça, da autoria de Chico Buarque e Paulo Pontes, e que inclui uma mão cheia de canções belíssimas do Chico. Do que gostei mais, para além das canções, foi do próprio texto, que achei fantástico. Tendo em atenção que a peça foi criada em 1975, percebe-se que Chico Buarque tinha de se tornar escritor. Uma escrita hábil, ligeira, com imensos recursos nomeadamente poéticos, que dão ritmo e música à declamação. Foi o que mais me entusiasmou, tentar 'ouvir' o texto quase como se o estivesse a ler.
Também gostei que, apesar de se tratar de uma remontagem da produção original, se tenha mantido o tom político da peça, dando um toque brechtiano a esta leitura da tragédia grega de Medeia. Finalmente não se pode deixar de referir o trabalho dos actores, com destaque para Izabella Bicalho, na protagonista, que se transcende naquilo a que se costuma chamar uma verdadeira força da natureza.
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