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hands of gold
rosas
innersmile


Yet each man kills the thing he loves
By each let this be heard,
Some do it with a bitter look,
Some with a flattering word,
The coward does it with a kiss,
The brave man with a sword!

Some kill their love when they are young,
And some when they are old;
Some strangle with the hands of Lust,
Some with the hands of Gold:
The kindest use a knife, because
The dead so soon grow cold.

Some love too little, some too long,
Some sell, and others buy;
Some do the deed with many tears,
And some without a sigh:
For each man kills the thing he loves,
Yet each man does not die.


- Oscar Wilde, in Ballad of Reading Goal (excerto)

zii e zie
rosas
innersmile
Ultimamente tenho comprado poucos cd’s, mas entre a semana passada e esta comprei três, que tenho estado a ouvir quase em loop.

O primeiro que comprei é o mais recente do Caetano Veloso, Zii e Zie. Este disco tem uma característica peculiar, que foi podermos ir acompanhando a sua feitoria através do site obraemprogresso.com.br, onde Caetano, ou alguém por ele, ia dando conta… do progresso da obra. Outra característica importante foi o disco ter nascido, por assim dizer, de uma série de concertos que Caetano Veloso fez ao longo do ano passado, com a banda Cê. Algumas das canções deste disco nasceram e foram trabalhadas nesses concertos (de que o já referido site foi dando conta). A meio desses concertos, Caetano fez uma mini-digressão europeia, a solo. Num concerto fabuloso em Aveiro, na praça Marquês de Pombal, Caetano prometeu fazer uma canção dedicada à Menina da Ria, e essa canção aparece no Zii e Zie. O que de certa forma é a prova do modo como o disco foi sendo feito, como uma verdadeira ‘obra em progresso’.

Talvez isso explique igualmente porque é que este disco é relativamente fracassado. Surgindo como uma espécie de corolário do trabalho iniciado com Cê, é um disco falhado, ainda que apenas relativamente. Por exemplo em termos de arranjos, utilizando os mesmos músicos, as mesmas estruturas, mas sobretudo as mesmas ideias de Cê, Zii e Zie é um disco mais livre, mais conseguido, mais imaginativo e mais realizado do que o que o seu antecessor. Onde Zii e Zie me parece falhar é ao nível das composições, que parecem sempre ser mais conceitos, mais ideias construídas e postas em acção, do que propriamente de canções, de canções populares. Falta-lhes, não sei bem definir, talvez uma certa vocação para serem assobiadas, no sentido de que quando assobiamos uma canção é sinal de que nos estamos a apropriar dela, a torná-la nossa.

E apesar de estarmos longe do luxo criativo de Circuladô ou de Livro ou mesmo de Noites do Norte, há, ainda assim, três ou quatro canções que são belíssimos exemplares do Caetano Songbook: A base de Guantánamo, Perdeu ou Falso Leblon, por exemplo. Há ainda duas versões deliciosas, como sempre acontece nos discos de Caetano. E se é verdade que Menina da Ria não fará parte exactamente do lote das canções mais inspiradas deste disco, não deixa de ser uma memória simpática, alegre e muito carinhosa dessa noite especialíssima em que assistimos ao nascimento de uma canção.

A ideia era falar sobre os três discos que tenho estado a ouvir, mas alonguei-me tanto que os outros dois ficam para a próxima.
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