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Em Dezembro de 1948, a um mês de completar 28 anos, Patricia Highsmith arranjou emprego como balconista na secção de brinquedos dos armazéns Bloomingdale’s em Nova Iorque. Era uma maneira de arranjar um meio de subsistência enquanto tentava encontrar uma voz distinta no seu propósito de se tornar escritora de romances.

Logo num dos primeiros dias de trabalho Highsmith atendeu uma cliente, loira e elegante, vestindo um casaco de peles, e sentiu-se, nas suas próprias palavras, instantaneamente apaixonada. Tratava-se de Katheleen Senn, uma esposa e mãe de família de Ridgewood, em New Jersey. Comprou uma boneca para uma das suas filhas, deixou o nome e o endereço para entrega da encomenda, e saiu. As duas mulheres nunca mais se tornaram a cruzar, mas Patricia Highsmith ficou tão obcecada que uns dias depois começou a pensar num romance construído à volta dessa mulher. Por duas vezes deslocou-se até Ridgewood, apenas para poder espiar a sua casa, a última das quais em Janeiro de 1951, já depois de ter publicado o seu primeiro livro, Strangers On A Train, que lhe trouxe desde logo renome e sucesso como escritora de crime e suspense, e com base no qual Alfred Hitchcock filmou uma das suas obras-primas.

Em Maio de 1952, Patricia Highsmith, sob o pseudónimo de Claire Morgan, publicou The Price of Salt (republicado em 1990 com o título Carol, e com o nome de Highsmith como autora), uma história de amor lésbico baseada nas paixões e amores de Highsmith. No romance Therese, uma aspirante a cenógrafa teatral, trabalha no sector de brinquedos de um grande armazém de Nova Iorque. Um dia atende uma cliente, Carol, que vem comprar uma boneca para a filha. As duas encontram-se, apaixonam-se, e vivem um romance que inclui uma viagem de carro através da América.

Em Outubro de 1951, quando o livro já estava escrito e Patricia Highsmith se debatia com o dilema de o publicar, num tempo (e já agora numa América) em que a homossexualidade era um tema tabu na literatura, Katheleen Senn fechou-se na garagem de casa, pôs o motor do carro a trabalhar e suicidou-se. Sem nunca saber que tinha despertado uma paixão tal, ao ponto de ter inspirado um livro. De igual modo Patricia Highsmith nunca chegou a saber que a sua Carol se tinha suicidado, e ainda antes de ter publicado o livro que ela inspirou.