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na guatemala.7 (fim)
rosas
innersmile
9.4.09
De manhã, vulcão de Pacaya, um dos cinco vulcões activos, na Guatemala. Os guatemaltecos gostam de vulcões: tornam as terras férteis, dispensando o uso de fertilizantes químicos, atraem turistas e estudiosos. Parte da viagem de autocarro foi feita pela auto-estrada que faz a ligação à costa do Pacífico, e havia enormes filas de trânsito de citadinos a fugir para as praias, para aproveitarem as férias da semana santa.
Na aldeia de San Francisco começou verdadeira subida do vulcão. Eu, como outros, alugámos cavalos, e respectivos condutores, para fazer a subida. O meu guia foi o Kevin, e o cavalo foi o Camaron. Mesmo assim a subida, muito íngreme, demorou mais de hora e meia. Lá em cima os restantes companheiros seguiram a pé para chegarem o mais perto possível da cratera, mas eu deixei-me ficar, no meio de uma paisagem completamente lunar, farrapos de nuvens a desfilarem ao meu redor. Mais de uma hora assim sozinho, a ouvir o silêncio, por vezes entrecortado pelo assobiar do vento, e pelas vozes muito ao longe. O vulcão não me fascina, mas esta solidão agreste e vazia, é exaltantemente assutadora. Fui o único a descer de cavalo, todos os outros desceram a pé, por um trilho ainda mais íngreme, mas que demorou apenas meia-hora.

No regresso à cidade, um banho rápido para tirar parte dos quilos de poeira acumulada, um hamburguer rápido, e fui, em grupo reduzido de 6, tentar 'apanhar' uma procissão. Pelo caminho ainda parámos num mercado de artesanato, onde comprei uma escultura feita em tawa, uma semente creio que de palmeira, e a que chamam de merfim vegetal. Vi a peça mal entrei na loja, e apesar de haver outras, maiores, mais caras ou mais baratas, essa que vi inicialmente foi a única que me prendeu a atenção: dois lagartos, verdes, numa posição de opostos complementares tipo Yin e Yang, pequenos e delicados. A peça é pequena, cabe na palma da mão, no bolso, e acho que o tamanho foi outra das razões que me fez gostar tanto dela. Acho que, se por mais não fosse, apenas para vir encontrar esta pequena escultura valeu a pena vir à Guatemala.

Luis, o nosso motorista, e Leonel, o novo guia, fizeram um verdadeiro rally pelas ruas estreitas e labirínticas da cidade velha, a zona 1, para encontrarmos a procissão, ou, como se diz por cá, 'la proce', abrindo o e final (como nós os portugueses, nos bons velhos tempos da revolução, íamos à 'manif'). Depois de andar às voltas pelos quarteirões e de fazer algumas ruas em sentido proibido, Luis deixou-nos a uma quarteirão de distância de um dos cruzamentos onde passaria a procissão. Conseguimos chegar mesmo a tempo de ver passar os gigantescos andores. Centenas e centenas de confrades, que se revezam a segurar nos andores, os homens vestidos de roxo e branco, as senhoras todas de branco e mantilha de renda na cabeça, os tambores a marcar a cadência, as bandas de música com os metais a refulgir, os pendões, que também servem para segurar lá no alto os cabos eléctricos de modo a não se prenderem nas figuras mais altas dos andores, os queimadores de incenso, os sinos das igrejas, os vendedores de algodão doce e pirolitos segurando os tabuleiros ao alto, como se também fossem a desfilar. Lá ao fundo da rua por onde vinha 'la proce', o pôr do sol. Foi uma experiência esmagadora, pela imensa mole humana, pelo feerismo das cores, pelo tamanho dos andores, pelo barulho, pela paixão, pelo sacrifício, e pelo modo espectacular de os demonstrar.

Amanhã é o regresso. Não sei se os outros têm planos para a manhã, mas eu conto escapar-me e dar um passeio, sozinho, aqui pelas calles e avenidas da zona 10, e descer até La Reforma, que é uma avenida larga e interminável, cheia de árvores e passeios ajardinados. Foi uma viagem inesquecível (ok, são todas...), pela riqueza da cultura e das tradições, pelas surpresas e pelas experiências, pelas paisagens fantásticas. Mas também pelo clima que vivemos no grupo, que foi sempre excelente, animado e muito divertido.























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