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na guatemala.3
rosas
innersmile
5.4.09
Hoje de manhã saímos do hotel às 7,30, em passo de corrida para tentar ver uma procissão. Fomos à igreja da Merced, a procissão era só às 11, e seguimos para a Catedral, estava apinhada de gente até à rua. Uma das companheiras de viagem, com as correrias, bateu com a cabeça num dos gradeamentos das janelas, e caiu. Abriu a cabeça, e podia ter sido muito pior. Tudo por culpa da guia, que não tem as coisas organizadas, e passa a vida a ter crises de nervos e a refilar. O stress e as correrias acabam por tirar o prazer destes passeios a pé pelas ruas da cidade. Saio de La Antigua com a sensação de que desperdiçámos uma cidade muito bonita, com um património riquíssimo.

Seguimos de autocarro até à aldeia de Chichicastenango, uma viagem de 3 horas, pela chamada carretera interamericana, a que liga a fronteira do México a São Salvador, e que se integra da grande estrada que atravessa toda a América, do norte até ao sul. Muitas paragens, por causa de obras e de outros incidentes. Almoçámos à entrada do pueblo, na casa do abuelo Manuel. O almoço foi nas traseiras da casa, debaixo de um alpendre no quintal, entre flores, galinhas, tanques de água e espigas de milho penduradas. Agulhas de pinheiro a forrar o chão do alpendre e a torná-lo odoroso. Antes de almoçar, as senhoras foram fazer tortilhas e os homens ficaram no alpendre a berber uma espécie de aguardente (seria mezcal?) com gomos de lima e sal. Claro que as senhoras desistiram depressa das tortilhas e juntaram-se à aguardente! Foi um almoço típico da região, or so they say: entrada de milho enrolado em folha de bananeira, sopa de vegetais com pera abacate, pollo com papas a saber a jardineira, tudo acompanhado com tortilhas. Para postres banana frita com frijoles e chá.

Depois do almoço visitámos a Igreja de São Tomás. No claustro do convento anexo, foi encontrado (e traduzido por um dos frades) o Popul Vuh, o livro sagrado dos Mayas. Depois, duas horas à solta naquele que é considerado o maior mercado ao ar livre na Guatemala. Comprei, entre outras coisas, duas tapeçarias, e depois de acertar o preço, descobri que não tinha comigo quetzales suficientes para pagar a mercadoria. Alberto, o vendedor, que faz duas vezes por semana, às quintas e domingos, três horas de bus para vir vender na feira, aceita que eu pague em Euros, o que é uma raridade por aqui, onde predomina o dólar. Acontece que não tenho o dinheiro comigo, ficou no autocarro, e peço-lhe para ir lá ter comigo, daí a duas horas, para fecharmos o negócio. Ele pergunta-me com o ar mais sério deste mundo se eu lhe ia realmente comprar as tapeçarias. Digo-lhe que sim, e que só não as compro já porque não tenho dinheiro comigo. Ele mete as tapeçarias num saco e passa-mo para a mão, combinando que às quatro horas iria ter ao autocarro (estacionado atrás do supermercado La Dispensa) para receber o dinheiro. Eu não quiz trazer as compras, por causa de qualquer eventualidade que pudesse impedir o nosso encontro, mas lá acabámos por nos encontrar e fazer o negócio. Foi uma experiência interessante esta de duas pessoas que não se conhecem de parte nenhuma, que com toda a certeza nunca mais se irão encontrar, que vêm de mundos tão diferentes, que acabaram de regatear com alguma veemência o preço da mercadoria, de repente se comprometerem e empenharem apenas com o poder da palavra de cada um, sobretudo o gesto do Alberto de me passar as mercadorias para a mão sem ter absoluta certeza de que nos encontraríamos duas horas depois para eu lhe dar o dinheiro da compra.

Chegámos a Panajachel, junto ao lago Atitlán, a tempo de tomar uma rica banhoca na piscina descoberta de água quente. Depois do cansaço do dia, do stress e da irritação por causa da guia, do passeio vertiginoso (e periclitante, por causa da irregularidade do piso) pelo mercado de Chichicastenango, soube bem passar uma hora de molho, e a 'amolecer' em água quente. O jantar foi no hotel, o Porta Holtel Del Lago.













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