April 15th, 2009

rosas

na guatemala.2

4.4.09
Em La Antigua Guatemala.
A maior emoção do dia de hoje foi estar a almoçar (restaurante Las Antorchas) e começar a sentir um tremor de terra. Durou o tempo suficiente para sentir que estava a tremer, olhar incrédulo para os outros, comentar o que se estava a passar, e continuar a sentir o abalo. Os candeeiros do tecto ficaram a oscilar, e ainda deu para fazer um clipzinho com a máquina fotográfica. Impressionante. Não senti medo, até porque fiquei tão entusiasmado com a experiência, mas acho que quando me apercebi de que se tratava de um abalo sísmico senti algum desconforto.

De manhã passeámos pela cidade de Guatemala, pelas avenidas intermináveis, muito arborizadas, ou, já perto do centro, com edifícios de uma arquitectura que me pareceu interessante ainda que não propriamente rica. Visitámos duas igrejas, a catedral e a igreja da Merced. À porta das igrejas mulheres fazem e vendem em enormes cestos as espigas para amanhã, domingo de ramos. Nas igrejas, os bancos estão arrumados para os lados e as naves abrigam os andores para as procissões, com muitos altares e tapetes feitos de serradura colorida e frutas, as 'alfombras'.

Viemos para Antigua e fomos a Jocotenango, uma pequena aldeia nos arredores, onde visitámos uma quinta, a Finca La Azotea, que tem um benefício de café e um museu de música Maya, a Casa K'ojom. Depois do almoço demos um passeio a pé pela cidade de Antigua, visitando a Catedral, em ruínas desde o terramoto que em finais do século XVIII obrigou a transferência da capital para a actual Guatemala, e a espectacular Plaza Central, quadrada, rodeada de edifícios de arcadas, cheia de árvores (predomina a cor das flores do Jacarandá) e jovens em passeio descontraído. Na face do quadrado oposta à Catedral fica um café-restaurante famoso, o La Condesa, com várias salas e pequenos pátios ao ar livre, adornados por fontes de inspiração moura, que se vão espalhando pelas profundezas de um edifício colonial. A entrada para o café faz-se por uma livraria.
Ainda visitámos mais duas aldeias dos arredores da cidade: San Antonio de Aguas Calientes, e a Ciudad Vieja, que foi uma das primeiras capitais do país, no sopé do imponente vulcão Agua. Já de novo em La Antigua visitámos a igreja de San Francisco, e viemos para o hotel, a Casa Santo Domingo, que é lindíssimo, instalado num antigo convento, cheio de peças museológicas (o hotel tem um museu e alberga sites de investigação arqueológica), e um jardim espectacular. Foi dos hoteis mais bonitos onde já estive. Ainda saímos para jantar, junto ao arco de Santa Catalina, num restaurante mexicano, o Fridas.

Apesar da guia que nos acompanha ser muito má (e de me provocar stress, que é coisa que não me apetecia nada ter na Guatemala) e de nos ter impedido de desfrutar melhor de La Antigua, gostei muito da cidade, sobretudo da praça central, quer quando a visitámos à tarde, cheia de jacarandás floridos, quer há bocadinho, quando lá passeámos depois do jantar. Há um sortilégio, um fascínio, nestas praças das cidades coloniais espanholas. Lembrei-me logo de Mérida, no Yucatán, e da noite em que lá passei, uma sexta-feira santa, com a praça cheia de grupos de homens e rapazes a cantar e a tocar guitarra.