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forever young, i want to be
rosas
innersmile
Estou ansioso por ir de férias. Não porque me esteja a apetecer desesperadamente ir passear, as horas de viagem, as correrias, as diferenças horárias e o cansaço. Pelo contrário, aquilo que me estava a apetecer era uns dias de férias tranquilos, a ler e a apanhar calor num sítio calmo. Mas ainda bem que vou, porque estou a passar por uma fase de um profundo mal-estar, e assim pode ser que o corte das férias, a canseira, e o facto de passar os dias sempre acompanhado, ponham um fim a essa fase em que ando já há algumas semanas.
Felizmente acho que não tenho um espírito muito depressivo. Claro, sou melancólico, tenho momentos de tristeza, mas não sofro de depressões, não me deixo, pelo menos por enquanto, enredar no labirinto da depressão clínica. Não tomo comprimidos, não faço terapias, não preciso de próteses afectivas, sejam elas químicas, relacionais ou outras. Como acredito que a depressão tem uma origem fisiológica, é um assunto clínico, só me posso considerar um felizardo por não sofrer desses padecimentos (sofro de outros, é claro, mas não são para aqui, ou pelo menos para agora, chamados).
Mas apesar de ter uma auto-estima razoável (que compensa uma certa falta de auto-confiança), a verdade é que ando a sentir-me mal. Sinto-me tenso, cansado, triste. Ponho-me em causa severamente e recrimino-me por achar que sou incapaz de quebrar um circulo, mais viciante do que vicioso, de infelicidade e frustração.
Por vezes acho que não sei, que não sou capaz, de romper o isolamento e a solidão em que me tenho vindo a afundar. Apaixono-me pelas pessoas erradas, não consigo aprofundar um relacionamento para além da mais superficial das camadas, do mero enfatuamento, sinto um pavor cada vez mais paralisante da rejeição. É verdade que isso não me faz sentir profundamente infeliz, e se calhar até devia, porque podia ser que eu reagisse. Assim, só agrava o mal-estar. E, claro, como se não bastasse, é nestas fases que temos a tentação de fazer as coisas mais patéticas, como voltar a mexer em feridas antigas, que julgávamos saradas e cicatrizadas.
Ando há uns dias a pensar em escrever qualquer coisa que pelo menos para mim tivesse o mínimo interesse, e que desse algum sentido a estes sentimentos pardos que me têm ocupado. Mas saiu assim, e é assim que vai ficar. Fica o texto confessional da temporada, uma espécie de recaída adolescente. Eu sei que nos blogs a sério não se escrevem textos destes, mas como ceci c'est pas un blog, estamos conversados. Para compensar o tom baço, vou-lhe juntar uma fotografia das frésias, que, por estes dias, me têm servido de contraponto de cor e luz.