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Acabei de ler Passaporte, uma colecção de textos da autoria de Maria Filomena Mónica, reunidos sob a égide das viagens. Viagens diversas, no tempo e na geografia, algumas cá dentro, duas à vizinha Espanha, a Inglaterra, e a destinos mais exóticos como Istambul, o Cairo ou Macau e Hong Kong. Ao todo são 13 textos, que em comum têm a desenvoltura da escrita de Maria Filomena Mónica, o seu humor e erudição, e uma mistura deliciosa entre uma certa afectação burguesa (por vezes, a rasar a dondoca) e uma ironia que nunca deixa de ser auto-dirigida, mesmo que seja conhecido o truque de se pôr a si própria em causa como meio de atingir os outros.

Devo dizer que neste estilo de cronista de costumes, a Maria Filomena Mónica é das minhas preferidas, não lhe faltando o toque de autoridade da sociologia, por um lado, e a distância ligeiramente afectada dos estrangeirados. O que salva a autora, no entanto, é que nunca sai de cena, nunca deixa, mesmo que por vezes soe a falsa modéstia, de se colocar na mira da sua crítica irónica.

Tenho a impressão de que nos dois parágrafos de cima digo rigorosamente a mesma coisa, por outras palavras. Adiante! A ideia é mesmo só dizer que acho a prosa da Maria Filomena Mónica muito divertida e que gosto do modo informado como ela olha para as coisas, as pessoas, as culturas, os tiques. Compreensivelmente esse olhar é sempre mais implacável e certeiro quando se dirige a Portugal e aos portugueses, e acho que o contributo da autora para o retrato do Portugal contemporâneo não é nada despiciendo.