March 20th, 2009

rosas

sláinte

A propósito de um texto que pus aqui há uns dias sobre o recrudescimento da violência na Irlanda do Norte, e como exercício de memória, lembrei-me de, com a ajuda do Google Earth e da Wikipedia, tentar refazer os percursos e lugares visitados nas minhas duas viagens à Irlanda. Em ambas as ocasiões o ponto de partida e de chegada foi sempre Dublin.

Em Julho de 1995, fiquei instalado, à chegada a Dublin, num hotel no Upper Ormond Quay, junto ao Liffey. Como o meu quarto ficava mesmo por cima da discoteca do hotel, depois do passeio e antes do regresso, fiquei noutro em Lower Abbey, onde, uma noite, às três ou quatro horas da manhã, um hóspede se lembrou de accionar o alarme de incêndio. Foi mais divertido do que assustador, sobretudo os hóspedes todos em pijama na rua em frente ao hotel.

O passeio, em carro alugado, passou pelos seguintes lugares e cidades: Wicklow, para visitar as cataratas de Powerscourt, Enniscorthy e Wexford, onde almocei, num pub junto ao porto. Depois do almoço segui por Waterford e Clonmel até Cashel, uma terrinha fabulosa, com um castelo em ruínas cheio de cruzes celtas e sobrevoado por corvos ao final da tarde. A dormida foi num bed & breakfast, que eu e os meus companheiros de passeio baptizámos de Bates Motel, em homenagem ao filme de Hitchcock e por causa do rapaz que nos atendeu e que era um bocado sombrio.

Na manhã seguinte visitámos o castelo e seguimos para Tipperary (paragem estratégica para cantar em coro “it´s a long way to Tipperary, it’s a long way to go”) e Limmerick, onde almocei e comprei uns sapatos em saldos. Depois do almoço, por Shanon e Ennis, até aos Cliffs of Moher, impressionantes e assustadores, a atracção do abismo. Ao fim da tarde segui para Galway, onde jantei (num restaurante chinês) e pernoitei. De manhã fiz a estrada que passa pela península de Connemara, com almoço em Clifden, se não estou em erro, num pub. Fiz a Sky Road e depois segui para Westport onde chegámos ao fim da tarde. Pelo caminho parámos junto a um convento, de pedra muito branca, e que ainda era habitado, e que ficava encostado à escarpa de uma montanha. Uma parte significativa do percurso foi feita bordejando uma espécie de fiorde. Ainda fomos para Castlebar, onde, depois de jantar, estivemos a ouvir música tradicional num pub. Dormi num Bed & Breakfast onde havia um cão minorca no pátio e um gato preto e gordo dentro de casa.

No dia seguinte saí de Castlebar, passei por Roscommon, e antes de chegar a Athlone fui dar uma volta de hovercraft no Lago Ree. Por mero acaso, saímos da estrada principal e fomos ter à beira do lago, junto a um hotel e um campo de golfe. Estávamos a decidir se íamos ou não dar uma volta pelo lago quando começou a chover, o que resolveu a situação: tudo para dentro do hovercraft e ala para o lago. Depois fui ainda visitar o mosteiro e as ruínas de Clonmacnoise, com um cemitério cheio de cruzes celtas, e regressei, já quase de noite a Dublin.

Em Outubro de 1998, saí de Dublin em direcção a Cashel, para mostrar aos meus companheiros dessa segunda viagem o castelo que tanto me tinha apaixonado na primeira viagem. Depois passámos por Cork (onde regressámos para jantar) e fomos para Blarney, onde me instalei num hotel na Square, um enorme campo relvado em forma de quadrado (quase) perfeito, perto do castelo, que visitei na manhã seguinte. No castelo de Blarney há uma pedra na muralha que, conta a lenda que se a beijarmos deitados de costas a partir da janela numa parede que fica separada por escassos centímetros, dá o dom da eloquência. A fila para beijar o muro era interminável.

Seguimos para fazer o Ring of Kerry, a partir de Killarney e até lá à ponta, em Waterville, onde fica a estátua do Charlot. E depois a península mais a norte, até Dingle, que é uma pequena cidade portuária, e um dos sítios mais lindos onde já estive. Jantar de ostras e música tradicional até às tantas num dos inúmeros bares da cidade. De manhã fizemos o Connor Pass e fomos de rota batida até Limmerick, onde almoçámos. No regresso a Dublin parámos ainda numa terrinha de que não me recordo o nome para tomar um café. Quando chegámos ao hotel de Dublin (em Temple Bar), uma das minhas companheiras de viagem apercebeu-se de que tinha deixado o saco com a câmara de vídeo no bar onde tínhamos estado a tomar café. Depois de uns telefonemas meio doidos, conseguimos falar para o pessoal do bar, que confirmou que o saco tinha lá ficado, de modo que depois de jantar ainda voltámos para trás para ir buscar a câmara.