March 15th, 2009

rosas

polémicas à parte

Detesto polémicas! Gosto da discussão, do debate, mas detesto polémicas por escrito. Não tenho muita paciência para as dos outros (o tema tem de me interessar mesmo muito para eu seguir uma polémica), e fujo de me meter delas como o diabo da cruz. Por isso neste texto não haverá ´naming names’, não se vá dar o caso de alguém andar por aí a googlar e vir aqui parar e começar tudo outra vez.

Aqui há umas semanas, vi-me metido numa polémica. Ok, só me vi um bocadinho metido, mas mesmo assim foi suficientemente incómodo, para mim. Quando estreou um certo filme que ganhou uma data de Oscars, passado na Índia e com nome de concurso de televisão, o jornal que costumo ler, propriedade de um engenheiro patrão de indústria do norte, publicou no suplemento das sextas-feiras que dedica às artes e aos espectáculos, um conjunto de textos muito desfavoráveis ao filme. Um deles, da autoria de um crítico de cinema que assina com dois nomes próprios e um apelido, sendo este o mesmo de uma certa árvore que dá a azeitona de que se faz o rico e saboroso azeite, era particularmente violento em relação ao filme, terminando por dizer que o autor do filme tinha ido à Índia e a única coisa que tinha sentido era o cheiro a merda (espero que ninguém se lembre de googlar ‘merda’ e venha aqui parar).

Li o texto, achei-o uma caca, e, para não sair do mesmo vernáculo metafórico, caguei e andei. Passados uns dias, um dos meus críticos de cinema favoritos, que, creio, escreve num jornal de Lisboa que tem o mesmo nome de uma rua que fica no Bairro Alto, escreveu um texto no seu (dele) blog, cujo tem um nome que eu confundo sempre com a Light and Sound, que é a revista de cinema do BFI, em que falava das reacções dos leitores do site do tal suplemento do jornal do engenheiro do norte, ao tal artigo do crítico do azeite sobre o filme do inglês.

Concordando embora que o nível dos comentários dos visitantes do site esteja ao nível dos odores que de acordo com o crítico dos azeites o realizador inglês cheirou em Bombaim, escrevi um mail ao autor do blog a dizer que achava que o texto do crítico do engenheiro era tão mau e tão desrespeitador dos leitores do jornal, que a reacção dos ditos neste caso me parecia, se não justificado, pelo menos ao nível. O autor do blog respondeu simpaticamente ao meu mail e anunciou-me que o ia publicar no referido blog. Claro que o crítico do suplemento do jornal do engenheiro respondeu ao meu texto, e fê-lo com tanta eficácia que eu me senti o tipo mais ignorante do mundo, um brutamontes que sofre de ambliopia cultural e que não sabe o que diz. E devo dizer que acho que ele tem inteiríssima razão.

Felizmente nem tudo correu muito mal, e como o autor do blog grafou com um ligeiro erro o endereço do innersmile aqui no livejournal, poupei-me a ter um acréscimo de visitas e quem sabe um número ainda maior de insultos desestabilizadores do meu frágil ego. Mas relembrei a razão porque gosto tão pouco de escrever cartas ou mails para os jornais ou para os blogs, e sobretudo porque detesto as polémicas. Aquilo nunca sai exactamente como pensámos, tropeçamos muitas vezes nos nossos próprios argumentos, e a contra-argumentação dos outros parece sempre infalível e implacável. Se calhar, digo eu, foi também por isto que desisti de uma obscura carreira na advocacia.

Lembrei-me disto hoje porque estava ali a ler numa edição atrasada do mesmo suplemento e a irritar-me com a opinião de um crítico (de cinema, claro, já é implicância da minha parte) e antes que começasse a delinear na minha cabeça uma resposta, disse logo ‘alto, deixa-te disso, lembra-te da outra vez!’

Claro que não me atrevo a pôr aqui um link para o blog onde está publicado o meu mail (com nome e tudo, credo). E espero francamente que este texto esteja à prova do Google, mesmo correndo o risco de estar ilegível e intragável. Ora ora, ele há coisas mais interessantes na vida do que estar a discutir por escrito, em público, com pessoas que não conhecemos de lado nenhum. Mas se alguém estiver mesmo mesmo interessado em me ver enxovalhado pelo crítico do jornal do senhor engenheiro dos hipermercados, e conseguir saber de que blog é que estou a falar (e declaro já que se alguém o identificar nos comentários, será apagado. Não corro riscos!), é procurar no arquivo do mês de Fevereiro deste ano, que me há-de lá encontrar pelo meio.