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Rachel Getting Married não é um grande filme, e isso é precisamente aquilo que ele não pretende ser. Um pequeno filme que conta uma pequena história e que o faz de uma forma íntima, doméstica, pequena.

O filme tem dois aspectos determinantes. O primeiro é o argumento, da autoria de Jenny Lumet, que organiza a história e os personagens com tempo, com conforto, de um modo estruturado mas que parece sempre espontâneo, dando tempo às personagens para respirar mas sem perder o sentido do tempo, sempre com inteligência e elegância. Tudo isto se poderia dizer do outro aspecto determinante do filme, a realização de Jonathan Demme, que mantém sempre o tom familiar, com uma câmara que está sempre presente como se fosse mais um membro da família, e por isso pode ser quente e afável, mas também irónica e divertida, que segue, como se fosse mais um membro da família, os acontecimentos, como se quisesse estar sempre presente, sempre indagando do que se está a passar. Por estas duas razões o filme consegue fazer com que entremos na história, o tempo do filme é o nosso tempo, acreditamos naquelas personagens exactamente do mesmo modo como o filme acredita neles.

A Anne Hathaway tem um desempenho excelente num elenco que funciona muito como um ensemble, onde cada actor tem oportunidade de trabalhar e de criar uma verdadeira personagem, mesmo quando a sua passagem pelo ecrã é breve. Mas cabe destacar a presença magnética da Debra Winger, que sempre que está presente consegue polarizar toda a tensão do filme, e que com um mínimo de recursos e uma presença efémera e subtil desenha uma personagem complexa, dotada de uma serenidade dramática e sombria, e que, vamos descobrindo ao longo do desenrolar da acção, carrega a verdadeira chave da narrativa.

Um pequeno filme que é, afinal, um grande filme, e que traz de volta duas presenças marcantes da minha cinefilia, o excelente realizador que é Jonathan Demme, e essa actriz especialíssima que sempre foi, e continua a ser, a Debra Winger.