February 28th, 2009

rosas

the wrestler

Por todas as razões, a primeira pergunta que fazemos a propósito do visionamento de The Wrestler é inevitável: e o Mickey Rourke? Não que se trate exactamente daquilo a que estamos habituados nos chamados filmes-veículo, mas a verdade é que o filme de Darren Aronofsky parece sempre confundir-se com a personagem de Randy The Ram, que ocupa literalmente todas as cenas, que sobra pouco filme para além de Rourke. O que não é mau, em si, mas coloca a pressão toda do lado do actor. Que se safa muito bem, sobretudo, na minha opinião, na segunda parte da história, quando a personagem abandona os ringues e tenta organizar a sua vida fora do wrestling. É nestas cenas, acho eu, que Mickey Rourke consegue um jogo mais subtil, a fazer lembrar uma certa aura de anjo maldito que lhe sobra da sua carreira nos anos 80.

Centrando-se o filme de tal modo em Rourke e na sua personagem, poderá haver alguma dificuldade em ver mais alguma coisa para além dele. Não sendo propriamente um filme brilhante, o filme tem, contudo, uma certa crueza, um despojo, mesmo uma ingenuidade, que tornam impossível não simpatizar com ele, mesmo quando não é totalmente eficaz, por um certo acumular de lugares-comuns e por uma superficialidade na observação que faz.

Ofuscados pelo comeback de Rourke e do seu Randy The Ram, podemos nem reparar que o filme nos traz igualmente de volta a Marisa Tomei, que é das presenças mais comoventes no ecrã, uma actriz que domina com um rigor admirável a paleta de sentimentos e emoções que a sua representação é capaz de transmitir.