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post de ontem
rosas
innersmile
Hoje acordei às seis e meia da manhã (seis e trinta e três, para ser mais exacto), e conferi de imediato que dia da semana era, para saber se teria de me levantar daí a pouco mais de meia-hora para ir trabalhar. Fui à casa de banho, urinar, e enquanto isso fui pensando que este hábito de acordar todos os dias, ou quase todos os dias, com a bexiga cheia, é relativamente recente. Deve ter a ver com a idade. Eu lembro-me de o meu pai se queixar de que acordava todos os dias a precisar de ir ao quarto de banho, e de eu achar isso uma bizarria, pois dormia a noite inteira sem nunca acordar.
Tornei a deitar-me e tentei adormecer de novo, mas comecei a ouvir vozes, sobretudo de raparigas, que vinham do pátio que há ao lado do prédio onde vivo. Levantei-me outra vez e fui espreitar à janela da sala. Fiquei espantado. O pátio estava iluminado por potentes holofotes e uma azáfama de gente desmontava um palco e carregava coisas para carrinhas e camiões. Havia uma multidão de rapazes e raparigas, uns ainda em pequenos grupos espalhados pelo pátio e pela escadaria de acesso à rua, outros a dirigirem-se para automóveis que pareciam estar à sua espera. Achei estranho, pois parecia ter havido uma festa, uma espécie de festival, que durou a noite toda, e eu não tinha ouvido nada.
Como já era quase manhã, decidi, em vez de voltar para a cama, sentar-me à mesa da sala e aproveitar para escrever uns textos aqui para o innersmile. Acendi as luzes, fui à cozinha fazer um chá verde, e liguei o computador. Como sempre, em vez de abrir logo o processador de texto e começar a escrever, decidi primeiro ir verificar o correio electrónico, ler as novas mensagens no reader, dar uma volta pelos sites e blogs habituais a ver se havia novidades. Tudo isto enquanto repetia a mim mesmo que estava a perder tempo e que devia era pôr-me a escrever os textos.
Finalmente pus um ficheiro de musica instrumental a tocar no player do computador, para me fazer companhia, dei um gole no chá a ferver, e comecei a escrever este texto. Nesse momento o despertador tocou, eram sete e dez.
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prós & contras & contras
rosas
innersmile
Não tinha ideia de me pronunciar sobre o programa de ontem, Prós & Contras, na Rtp1, sobre o casamento… e aqui começa a primeira discordância, o facto de a produção falar em casamento homossexual, quando em rigor não é disso que se trata, mas de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não é uma diferença de pormenor: o casamento civil que hoje é admitido, não é, em rigor, heterossexual: dois homossexuais, um homem e uma mulher, podem contrair casamento, se quiserem. O que está em causa é a possibilidade de duas pessoas do mesmo sexo, homossexuais ou não, se poderem casar.

Mas comecei a responder à Imenso, num comentário a outra entrada, e como a resposta se alongou, decidi trazê-la para aqui, mas no pressuposto de que não sei se tenho alguma coisa a acrescentar sobre o assunto. E francamente não sei se já me passou a irritação que o programa (parte, nem o vi todo) me causou. Eu sei que já há muito os lunatics have taken over the asylum, mas mesmo assim. A minha capacidade para enfrentar o absurdo tem limites, e quando achei que eles tinham sido atingidos, desliguei o aparelho e fui ler um romance.

De toda a forma gostei de ouvir as pessoas que estiveram em defesa do sim. Gostei de ouvir o Miguel Vale Almeida, porque o seu discurso é ponderado e sensato. Gostei imenso de ouvir a Isabel Moreira, porque os argumentos, de ordem jurídica, que avançou foram sempre demolidores dos falsos argumentos que os do contra convocaram. E gostei de ouvir, na plateia, o Rui Tavares, que colocou a questão na sede própria, a da liberdade individual.

Quanto aos participantes que estiveram em defesa do não, o único para o qual tenho alguma condescendência é o Padre Vaz Pinto, que é um homem culto, informado, sério e 'pensado'. E que se via que tinha consciência de estar aprisionado por duas lógicas que é tramado quando se contradizem: a do respeito pela liberdade individual e pelos direitos humanos, e a do dogma religioso. Quanto aos outros, os argumentos foram sempre tão inanes e falaciosos que foi por demais evidente que todos têm vergonha de dizerem realmente o que pensam, e por isso se escondem atrás de ideias gerais, feitas e falsas.
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