February 16th, 2009

rosas

a viagem do elefante



Terminei a leitura de A Viagem do Elefante, a mais recente obra de José Saramago, e comummente considerado o seu melhor livro nos últimos não-sei-quantos-anos. E tenho de concordar que o livro tem um fulgor narrativo que tem estado ausente das últimas obras de Saramago (pelo menos das últimas que tentei ler, sem me entusiasmar), o que é tanto mais notável (mas se calhar et pour cause) quanto o livro é pouco mais do que um divertimento, uma fantasia. Isto claro sem menosprezo nenhum, não estou a dizer que se trata de uma obra menor. Se calhar até pelo contrário, talvez o facto de o autor não ter nenhuma mensagem profunda a transmitir, a não ser (e já não é pouco) celebrar o facto de estar vivo e da sua própria viagem ter conseguido ultrapassar um desfiladeiro dos Alpes, tenha contribuído para este livro ser tão divertido. Saramago tem, passe o lugar comum, uma imaginação prodigiosa, mas, como já disse, é o carácter luxuriante da narrativa, a multiplicidade de recursos, o modo como o narrador (o tão típico narrador saramaguiano) nos pega pela mão e nos arrasta em considerações mirabolantes, que fazem deste livro uma obra maior da bibliografia do autor.