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jesus was an only son
rosas
innersmile
Há muito tempo que não ouvia um cd do Bruce Springsteen, e ontem atravessou-se um no caminho, e voltei a ouvir, Devils and Dust. E voltei a ser tocado por aquela melancolia cheia de raiva e de desespero que caracteriza as canções do BS no seu melhor. Pareceu-me que muitas das canções (não sei se são todas, não estava com muita paciência para fazer exegeses e estudos comparativos) falam sobre mães e filhos, se calhar até mais sobre mães. Que é um tema que me comove sempre muito. A mais bonita das canções do álbum, uma canção lindíssima a todos os níveis, talvez das mais bonitas que o Bruce Springsteen escreveu, era esta, JESUS WAS AN ONLY SON. É daquelas que é tão bonita que até dói, quase que temos vontade de chorar por não haver no mundo beleza que se compare à da canção. Não tive paciência para procurar um clip decente no YouTube, por isso fica aqui apenas a letra, linda e poderosa:

« Well Jesus was an only son
As he walked up Calvary Hill
His mother Mary walking beside him
In the path where his blood spilled

Jesus was an only son
In the hills of Nazareth
As he lay reading the Psalms of David
At his mother's feet

A mother prays, "Sleep tight, my child, sleep well
For I'll be at your side
That no shadow, no darkness, no tolling bell,
Shall pierce your dreams this night."

In the garden at Gethsemane
He prayed for the life he'd never live
He beseeched his Heavenly Father to remove
The cup of death from his lips

Now there's a loss that can never be replaced
A destination that can never be reached
A light you'll never find in another's face
A sea whose distance cannot be breached

Well Jesus kissed his mother's hands
Whispered, "Mother, still your tears,
For remember the soul of the universe
Willed a world and it appeared."»


~*~

Na véspera, ou seja na quarta-feira à noite, vim da piscina e pus-me a escutar um disco muito antigo, White Mansions, um álbum de 1978 (e que eu tinha em vinil, comprado nessa altura), de musica country. É um disco fabuloso, intemporal, um 'concept album' que conta uma história da guerra da secessão norte-americana, toda vista pelo lado sulista, dos derrotados. Ainda aqui hei-de falar mais deste disco (se a tanto me ajudar etc etc), mas o que hoje aqui quero relatar é a experiência que foi voltar a ouvir uma coisa muito antiga. Deitei-me no meu sofá, cansado da natação, e estive ali, de olhos fechados, embalado pelo sono, a ouvir o disco e a sentir-me por dentro como me sentia quando tinha 16 ou 17 anos e ouvia o White Mansions tantas e tantas vezes, deitado no sofá da sala da casa dos meus pais, auscultadores nos ouvidos, olhos fechados para decorar as canções (e não apenas as letras, mas as canções todas). A música (e acho que só ela) tem esta capacidade de me fazer regressar no tempo e ouvir músicas da mesma maneira, com a mesma sensibilidade, com as mesmas emoções e as mesmas sensações, de quando as ouvia com mais frequência, de quando elas entraram na minha vida. São pequenas viagens no tempo, através de um túnel mental, capaz de fazer disparar memórias que são puramente sensoriais. Não me lembro do que eu estava a fazer, do que pensava, nada disso; apenas me recordo exactamente daquilo que sentia quando as ouvia, nessas longas sessões de sofá, em que a música, tal como o cinema, eram o meu meio preferido de perceber e aprender o mundo.
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