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Há um aspecto inegavelmente positivo no anúncio que José Sócrates fez de que a moção de orientação política que levará ao congresso do PS irá contemplar a admissibilidade do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Se o PS aprovar a moção, como o fará de certeza absoluta, e Sócrates for, como será de certeza absoluta, o candidato do PS às próximas eleições legislativas, ficamos a saber que essa matéria vai entrar na agenda política das próximas eleições. Se Sócrates for, como parece inevitável que irá ser, o próximo primeiro-ministro de Portugal, então o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo constará ainda do programa político do próximo governo. Resta o último 'se': se houver condições políticas, ou seja, se o PS tiver maioria absoluta ou pelo menos apoio parlamentar maioritário, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo será uma realidade em Portugal nos próximos 4 anos.

Qualquer um destes cenários é positivo, como o é, de resto, o próprio anúncio de ontem. Não é dispiciendo o principal partido político português, um partido de massas, popular, com vocação de poder, introduzir tal matéria no seu programa político. Por muito que doa, já será benévolo pensar que a maioria das pessoas tem uma posição indiferente nesta matéria. E não tenhamos dúvidas de que entre os que não lhe são indiferentes, o número dos que defendem será inferior ao dos que recusam o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Por isso, por não estarmos exactamente a falar de demagogia populista ou eleitoralista, por não ser uma matéria que traga votos ao PS, podendo mesmo afastar alguns, é importante que um partido tão transversal como é o PS (e como era o PSD, não sabemos se ainda é) a inclua na sua agenda política. Bastava isso, só isso, para já ser uma coisa positiva.

No entanto este anúncio feito por Sócrates evidencia ainda mais as más razões pelas quais o PS votou contra os projectos apresentados no Parlamento há pouco mais de 3 meses no mesmo sentido de reconhecer a possibilidade do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Tiques prepotentes de partido maioritário, oportunismo político, argumentos falaciosos, fizeram com que o PS tivesse desperdiçado uma oportunidade de ouro de fazer uma coisa bem feita apenas porque era a coisa certa a fazer.
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