?

Log in

No account? Create an account

de homem para homem
rosas
innersmile
Fui ontem ao Teatro Aveirense ver De Homem Para Homem, um monólogo da autoria do dramaturgo alemão Manfred Karge que conta a história de Ella, uma mulher que, ao longo do século XX, é obrigada em nome da sobrevivência não só a cometer crimes mas a diluir a sua própria identidade. A peça tem encenação de Carlos Alardo e resulta de um projecto individual da actriz Beatriz Batarda que naturalmente interpreta.
Não minimizando o interesse do texto, o espectáculo vive da fabulosa interpretação de Beatriz Batarda, que nos dá uma performance intensa e visceral, em que a beleza e a abjecção não apenas partilham o palco como muitas vezes parecem andar de mãos dadas.

Quando cheguei a casa e procurava na net informações ou comentários sobre a peça, vi a notícia da morte da jornalista e editora Tereza Coelho. Lembro-me de TC sobretudo do seus tempo de jornalista do Público inicial, não apenas no campo da literatura, mas também por causa de uma certa atenção a temas desviantes, nomeadamente os relacionados com a sexualidade, e que sempre me interessaram muito.
Não é só nem sobretudo a morte a causadora da pobreza reinante no nosso jornalismo cultural. Mas o desaparecimento de figuras que foram marcantes, e que influenciaram o nosso gosto e a nossa formação cultural e principalmente literária, não deixa de contribuir para um desanimado sentimento de perda.
Tags: