January 18th, 2009

rosas

de homem para homem

Fui ontem ao Teatro Aveirense ver De Homem Para Homem, um monólogo da autoria do dramaturgo alemão Manfred Karge que conta a história de Ella, uma mulher que, ao longo do século XX, é obrigada em nome da sobrevivência não só a cometer crimes mas a diluir a sua própria identidade. A peça tem encenação de Carlos Alardo e resulta de um projecto individual da actriz Beatriz Batarda que naturalmente interpreta.
Não minimizando o interesse do texto, o espectáculo vive da fabulosa interpretação de Beatriz Batarda, que nos dá uma performance intensa e visceral, em que a beleza e a abjecção não apenas partilham o palco como muitas vezes parecem andar de mãos dadas.

Quando cheguei a casa e procurava na net informações ou comentários sobre a peça, vi a notícia da morte da jornalista e editora Tereza Coelho. Lembro-me de TC sobretudo do seus tempo de jornalista do Público inicial, não apenas no campo da literatura, mas também por causa de uma certa atenção a temas desviantes, nomeadamente os relacionados com a sexualidade, e que sempre me interessaram muito.
Não é só nem sobretudo a morte a causadora da pobreza reinante no nosso jornalismo cultural. Mas o desaparecimento de figuras que foram marcantes, e que influenciaram o nosso gosto e a nossa formação cultural e principalmente literária, não deixa de contribuir para um desanimado sentimento de perda.