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cuidado com aqueles moços
rosas
innersmile
Apesar de o assunto já estar em modo de fade out, queria aqui deixar os meus 'dois centavos' acerca das tiradas infelizes do cardeal patriarca sobre o casamento entre as portuguesas (atenção à generalização, as portuguesas todas) e os muçulmanos, que, na ideia do mais alto representante da igreja católica em Portugal, é um 'monte de sarilhos'. Eu até acho o cardeal um tipo interessante, um humanista e sobretudo um homem do seu tempo (quero dizer, do nosso), que é capaz de olhar e reflectir sobre o mundo tal como ele é. E até percebo, ou julgo que percebo, o que é que ele quis dizer com aquilo, todos temos essa noção, de que a situação da mulher no islamismo não é propriamente das mais brilhantes e que uma mulher ocidental, completamente desenquadrada dos valores e da cultura islâmica, pode passar um mau bocado não tanto por se casar com um muçulmano, mas sobretudo se for viver para um país muçulmano num meio onde lhe faltem as referências e os apoios a que está habituada, e o modo de viver seja completamente diferente.
Sinceramente acredito que foi isto que o cardeal pretendeu dizer. Mas não foi o que disse e não podia dizer o que disse. Não por qualquer questão de correcção política (damn with it) mas apenas porque tais afirmações, desenquadradas do contexto e ditas no tom levemente jocoso em que foram proferidas ('monte de sarilhos' não é uma definição correcta dos problemas em causa) contrariam, e põem em causa, o princípio de ecumenismo que a igreja defende e sobretudo o esforço de sermos capazes de olhar para o outro não como um alien, um estranho, mas como uma forma diferente de sermos nós. E se há religiões (e o islamismo nesse aspecto não é pior do que o catolicismo, nós é que somos mais tolerantes em relação àquilo a que estamos mais habituados) que têm práticas ou costumes ou rituais que põem em causa a dignidade do ser humano ou os seus direitos fundamentais, a solução não está em proibi-las mas em educar as pessoas para que elas se possam libertar das superstições e do obscurantismo que as leva a seguir, cegamente, essas práticas.
Assim, só posso atribuir o deslize do cardeal ao facto de ter sido cometido depois de um jantar que deve ter sido bem bebido. Não estou a gozar. o tipo tem ar de quem gosta de uns uísques e de uns vinháticos e por isso devia estar mais descontraído. Já acho uma hipocrisia o pseudo-choque por ele estar num casino, como se para o português mesquinho um homem do clero entrar num casino fosse tão grave como uma portuguesa casar com um muçulmano. Toma!
Mas sinceramente acho grave a gaffe do cardeal. E muito ridícula. Só me faz lembrar aqueles conselhos que os tipos do tele-rural dão no fim do programa: e cuidado com aqueles moxoje que usam um lencho enrolado na cabecha.
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