?

Log in

No account? Create an account

hotel de dream
rosas
innersmile

Stephen Crane foi um escritor e jornalista norte-americano que viveu entre 1871 e 1900. Foi correspondente de guerra e autor de livros sobre a vida nas ruas de Nova Iorque. Quando visitou o bordel Hotel De Dream, na Florida, conheceu a sua dona, Cora Taylor, e passaram a viver juntos (Cora não podia casar porque desconhecia o paradeiro do seu marido a fim de lhe pedir o divórcio), em Inglaterra. Morreu tuberculoso num sanatório da Floresta Negra, na Alemanha, com 28 anos, e é actualmente considerado um dos fundadores da moderna literatura norte-americana.

Um dos críticos e mentores de Crane deixou relatado um encontro que os dois tiveram com um rapaz prostituto, numa rua de Nova Iorque, e que teria inspirado Crane a escrever o primeiro capítulo de um livro que, a conselho desse amigo, teria rasgado por ser demasiado ousado para a época, precisamente sobre o meio dos rapazes que se dedicavam à prostituição.

Mesmo afirmando não acreditar na veracidade desta história, o escritor Edmund White pegou nela e construiu uma ficção ('uma fantasia', como lhe chama) sobre essa hipótese, intitulada precisamente Hotel De Dream. O livro tem uma estrutura que a princípio parece um pouco confusa, mas que aos poucos vai fazendo sentido, com vários planos narrativos. O plano principal é o da viagem que Crane e Cora fazem desde Inglaterra até ao sanatório alemão, com o estado de saúde do escritor a deteriorar-se seriamente. Para além de encontros de Crane com outros escritores, como Joseph Conrad, Henry James ou H. G. Wells, e das vicissitudes da viagem, este plano narrativo é pontuado pelos ditados em voz alta que o escritor faz a Cora das passagens do romance sobre o rapaz prostituto que pretende escrever nesses seus derradeiros dias. The Painted Boy constitui esse romance, que vai aparecendo ao longo do livro como uma narrativa dentro da narrativa. Há outro plano narrativo que acompanha o pensamento de Crane, reflectindo em relação à sua saúde e à perspectiva de uma morte próxima, ou sobre o seu relacionamento com Cora. Neste plano narrativo o escritor alterna entre a 1ª e a 3ª pessoa do singular, e inclui a memória de Crane sobre o encontro com o rapaz prostituto e o mergulho que esse encontro proporcionou pelo meio nova-iorquino da prostituição masculina.

Para além de uma recriação, quase como um romance histórico, do quotidiano da cidade em finais do século XIX (e que faz um pouco lembrar as cenas do filme de Scorsese, Gangs of New York, até porque grande parte da acção se passa no mesmo cenário da Bowery), o que pareceu interessar a White foi esse olhar sobre a homossexualidade (através da prostituição, que era, como o foi até há pouco tempo, a única possibilidade de muitos homossexuais experimentarem a sua condição) tal como era vivida nessa época. Outro aspecto interessante, e que White enuncia como sendo um dos seus interesses ao escrever o livro, era tentar contar uma história sobre a homossexualidade a partir de um olhar heterossexual. Neste ponto, acho que o livro não corresponde bem a esse desiderato, porque se sente que o olhar de Crane é demasiado contaminado pelo do narrador, e este coincide, quase inevitavelmente, com o do escritor, que é manifesta e assumidamente homossexual.

Do que não restam dúvidas é que Edmund White (como já tinha aqui escrito a propósito de My Lives, a sua autobiografia, que também li este ano) é um admirável escritor sobre a sexualidade, construindo universos narrativos densos mas muito claros na sua análise da sexualidade humana, em particular da que repousa na experiência homossexual (apenas por ser essa a que melhor conhece, pois é a sua). Para além disso, Hotel De Dream é ainda um saboroso exercício de linguagem, recriando muitas das expressões usadas na época para falar das coisas relacionadas com o sexo, sobretudo através de um jargão que se justificava não só pela clandestinidade da homossexualidade, mas pelo próprio tabu que constituía toda a temática da sexualidade.
Tags: ,

esta é para ti
rosas
innersmile
É um dos fados clássicos do repertório da Amália, da autoria do grande Max. E esta versão, que vai aí no clip sem imagens, só com som, pela voz belíssima (e tão desprovida dos artifícios e rodriguinhos fadisteiros que hoje estão na moda) do António Zambujo, é, neste momento, a minha versão preferida. Ah, fadista!

Claro que eu, de quem gosto, confesso-o não só às paredes como até aqui, ao ecrã do livejournal. É do meu rapaz Saint-Clair, que faz hoje anos.
Baci, meu querido, muitos parabéns e muitas felicidades. E que o tempo nos aproxime sempre um do outro.

Tags: