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todo o nada que és é teu
rosas
innersmile


Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.


- Fernando Pessoa

eartha kitt
rosas
innersmile


Das várias vidas vividas pela Eartha Kitt (pois, nove, como os gatos), esta é a de que me lembro primeiro: Disco Diva. Havia uma carga de sensualidade na Eartha Kitt que a tornava uma diva, e que lhe dava esse estatuto junto do público gay. Hoje podemos olhar para isto e ver uma certa artificialidade, até um certo kitsch, mas isso é só porque hoje os nossos olhos estão habituados, e em muitos casos estão mesmo exaustos, de ver imagens com representações da sexualidade. Mas nem sempre foi assim, e até há muito pouco tempo não era assim. A Eartha Kitt, com o seu ar felino, os grrr que ela metia em muitas canções, com o corpo franzino e a cara feia, com as poses de sex-appeal e as coreografias com rapaziada de corpinho à mostra, representava a margem de transgressão possível. Era uma star. Era de um tempo em que as estrelas eram glamourosas e inacessíveis (não havia o MySpace nem o Facebook nem o YouTube) e isso fazia com que pudéssemos projectar nelas tudo o que as vidas cinzentas e cabisbaixas não nos deixavam viver. Era, como na famosa citação de Oscar Wilde, uma questão de viver na sarjeta mas poder olhar as estrelas.