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anton kolig
rosas
innersmile
Uma das descobertas na viagem à Áustria foi a pintura de Anton Kolig, que vi, salvo erro, no museu Leopold. O que me chamou a atenção foi o facto de todos os quadros expostos do pintor representarem o corpo masculino, geralmente jovem e firme, e quase sempre nú. Não tanto pelo tema, mas sobretudo por uma maneira especial de olhar e captar os modelos representados, fiquei convencido, apesar de não ter qualquer informação a seu respeito, de que se tratava de uma pintura marcada por um olhar sensual, com uma evidente carga de desejo, e que o seu autor teria de ser homossexual.

Mas não é assim tão simples. Kolig integrou o grupo da secessão e foi amigo de alguns dos seus mais conhecidos representantes, como Klimt ou Schielle. Aliás uma das razões que se aponta para o facto de ele não ser tão conhecido tem precisamente a ver com o tema quase excluvivo dos quadros: o nú masculino não era propriamente um tema popular! No entanto Kolig, que era casado e teve 5 filhos, aparentemente apenas expressou a sua sexualidade através da pintura, não lhe sendo conhecida qualquer ligação homossexual, nem com os modelos profissionais a quem pagava, em Viena, nem, depois, com os amigos e trabalhadores agrícolas que lhe serviram de modelo, quando passou a viver no campo.

Mas o facto de não ter concretizado o desejo homossexual não impediu que Kolig sofresse perseguições, o que, pensando bem, dá forte testemunho do sentido perturbador com que esse desejo emana da sua arte. Que foi considerada escandalosa e decadente; logo após o Anschluss, em 1938, um conjunto de murais que tinha feito em Salzburg foi destruído pelos nazis, e em 1943 foi impedido de continuar a ensinar na universidade de Estugarda.

Em 1944 ficou gravemente ferido durante um bombardeamento, que matou alguns membros da sua família, e destruiu grande parte do seu trabalho artístico. Cerca de 3000 desenhos e 400 quadros são o legado da obra de Anton Kolig. Viveu entre 1880 e 1950.