November 30th, 2008

rosas

the happiest gay couple in the world

Está a passar na Sic Radical (Sábados e Domingos, às onze da noite) uma série de animação chamada Rick & Steve: The Happiest Gay Couple in The World. Feita em técnica 'stop motion' as figuras são inspiradas nos bonecos da Playmobil e da Lego (acho que já houve o competente processo) e retrata a vida de três casais homossexuais típica de quem vive num gueto gay (daqueles que só há na Califórnia e no Príncipe Real - atenção à ironia!)

É uma série divertidíssima, com um humor cáustico e demolidor, que goza com todos os clichés da cultura e do estilo de vida gay, alguns deles tão poderosos que até existem em comunidades gay muito incipientes como é a portuguesa. Os três casais protagonistas (há depois uma série de personagens secundárias, não menos caricaturais) retratam, entre gays e lésbicas, três situações mais ou menos típicas de casais homossexuais. Claro que a vida gay não se resume a essas caricaturas, mas como qualquer boa caricatura, a ideia é conseguir retratos a traço grosso com umas linhas mais subtis para dar credibilidade. A série é ainda um exemplo de como se pode ser mordaz sem nunca se ser ofensivo, apesar de ser bastante forte nos temas, nas situações e nas linguagens. Aliás, deu-me um gozo especial a semana passada, quando a apanhei pela primeira vez, porque a vi em casa dos meus pais e foi divertido assistir à reacção deles (também muito divertida) à linguagem e aos temas bastante ousados.

O criador e realizador da série é A. Allan Brocka, de quem já tinha visto dois filmes, de temática gay: Boy Culture e Eating Out. Este último é um dos filmes LGBT mais populares, tanto que, se não estou em erro, já gerou duas sequelas. Tenho de confessar que não me entusiasmei muito com estes filmes, achei-os pouco consistentes do ponto de vista narrativo e com direcções de actores igualmente pouco convincentes. Além de que são, em termos de história, muito ancorados nos clichés e lugares comuns do estilo de vida gay! O que é, precisamente, o principal traço do humor sarcástico de Rick & Steve. Ou seja, o realizador é muito mais eficaz a gozar com esse estilo de vida do que tentar retratá-lo com seriedade.

Duas pequenas curiosidades. A primeira é a de que, pelo menos em alguns episódios da primeira temporada de episódios, o grande actor Alan Cumming (ele próprio gay assumido e interventivo) dá voz a um dos personagens (Chuck, o membro de um dos casais, que é 31 anos mais velho do que o seu parceiro). A outra é que Q. Allan Brocka é sobrinho (apesar de nunca ter conhecido o tio) de Lino Brocka um mítico realizador filipino que nos anos 70 e 80 adquiriu prestígio internacional, assinando filmes de qualidade (era presença habitual em Cannes, tendo sido premiado), e que realizou igualmente alguns filmes de temática homossexual.