November 26th, 2008

rosas

áustria, 2008 / 3

18.11.08
(11:30)

No café Mozart, nas traseiras da Opera e em frente ao Museu Albertina, que acabei de visitar. O pretexto foi ver a exposição temporária com pinturas e desenhos de Vincent Van Gogh. Adorei. É de facto uma pintura muito carregada emocionalmente. A exposição organiza-se em torno dos lugares onde Van Gogh viveu, que correspondem a diferentes fases da sua vida, e aos diversos graus de evolução da loucura. A fase que mais me fascinou é a de Arles, sobretudo porque há qualquer coisa de alucinatório no brilho dourado das searas. E também, é claro, por causa do verso de Reinaldo Ferreira, que me acompanhou ao longo de toda a exposição: "eu penso, vê lá bem, em Arles e na orelha de Van Gogh". Acho que a exposição me ajudou a perceber melhor (a sentir melhor?) o poema de Reinaldo.
Claro que aproveitei para visitar o resto do Museu. Colecções de arte moderna e contemporânea (Picasso, Giacometti, Léger, impressionistas, expressionistas) e, nas chamadas alas Habsburg, uma colecção de pinturas e desenhos de pintores como Rubens ou Drucker (que adorei) e muitos outros que não conheço pois a minha ignorância em artes plásticas é gigantesca.









Ontem ao fim da tarde fui a um centro comercial que fica na zona do Prater, junto ao estádio onde decorreu o campeonato europeu de futebol deste ano. Bom, que depressão, consegue ser pior do que os nossos centros comerciais, um comércio pobretanas e desinteressante, sobretudo depois da sofisticação e do luxo do comércio do centro de Viena. Uma banalidade pavorosa, apenas quebrada pelo facto de haver em pleno centro uma loja enorme, com montras desimpedidas que permitem olhar para o interior, da Beate Uhse, que é uma cadeia alemã de sex-shops. Havia de ser bonito abrirem uma sex-shop em pleno Dolce Vita (se bem que haja uma, minúscula e muito discreta, no Girassolum), vinha tudo abaixo.

Jantámos em casa e depois do jantar decidimos ir à feira de natal da Rathaus. A ideia era provar o gluhwein, o vinho quente. Pois, chegámos à Rathaus às nove horas e as barraquinhas já estavam todas fechadas e tudo o que restava da feira era o cheiro a vinho, e uma meia dúzia de bêbados e de turistas de países de leste (o que, sem querer ser xenófobo, é quase um pleonasmo, pois à noite vêem-se muitos turistas de leste na rua, com os copos).