November 24th, 2008

rosas

áustria, 2008 / 2

17.11.08
(16:00)

Ontem saímos da gasthaus perto das 9, para ir para o outro lado do rio, para a cidade nova. Quando estávamos a chegar à praça Mozart começaram a tocar os sinos, durante muito tempo, o som como que a parecer vir das ruas estreitas e desertas, a luz de um cinza cortante e gelado como aço. Foi uma epifânia, um 'daqueles' momentos em que temos a noção de que vivemos toda a nossa vida à espera de acontecer.

Mesmo junto à praça fotografámos a casa onde nasceu a Constanze Weber, que haveria de ser Mozart por casamento, e atravessámos a ponte pedonal com estrutura de ferro, e que também tem o nome do mais famoso filho de Salzburg. Passeámos a pé pelas alamedas junto ao rio, as árvores quase despidas e o chão coberto de folhas douradas, passámos junto a um bar gay com a marca da pata do urso sobre a bandeira colorida, e sempre através do caminho mais longo até à Makartplatz, para ir visitar o outro museu da cidade dedicado a Mozart, este numa das casas onde a família Mozart viveu durante bastante tempo. Excelente. Mais convencional e clássico do que o que vimos na véspera, sem as intervenções arrojadas de Robert Wilson, mas mais rico e completo e sobretudo com muita música a ser debitada pelos audio-guides.

A seguir estacionámos num café, o Bazar (ao lado do famoso Sacher Hotel, versão Salzburg), a beber cafés e a apreciar o estilo de vida austríaco. As conversas animadas, a leitura dos jornais presos em réguas de madeira (como havia antigamente nos cafés portugueses que entretanto morreram todos. Assassinados!), o serviço sempre com um toque de requinte, o brilho polido das loiças.
Depois fomos para o jardim do palácio Mirabel, outra das famosas landmarks de Salzburg.
Quando atravessámos a ponte, de manhã, para a cidade nova julgámos que nos estávamos a despedir da altstadt, mas afinal não, e como era ainda muito cedo para a hora do regresso, voltámos a atravessar o rio para a cidade velha. Fomos ver a fonte barroca que fica literalmente encostada à escarpa do Monchberg (na praça Herbert von Karajan, outro cidadão ilustre da cidade), passámos junto à enorme sala onde anualmente se realiza o festival de música de Salzburg, e depois fomos almoçar ao Café Pamina, onde tínhamos estado no Sábado, de passagem para um café (a razão porque se bebem muitos cafés na Áustria são duas: os cafés são lugares muito bonitos, e além disso são muito quentinhos; como se depreende, a qualidade da bebida não é uma dessas razões). Escolhemos o pequeno-almoço especial, para duas pessoas, e que tem ovos quentes, frutas, muitas variedades de pão, carnes frias, queijos, patés, azeitonas, nozes. Acho que foi o pequeno-almoço mais opíparo que já comi e foi o segundo do dia, pois logo de manhã tínhamos tomado o pequeno-almoço na gasthaus.
Como o comboio para Viena saiu atrasado e chegámos a casa muito tarde decidimos, em vez de fazer jantar, comer um lanche mais reforçado, pelo que se pode bem dizer que ontem tomámos três pequenos-almoços.













Como o trabalho da C. é mesmo ao lado do MuseumsQuartier, vim com ela hoje de manhã. Dei uma volta pela Mariahilfer, uma das principais ruas comerciais de Viena, e às dez fui para os museus, primeiro o MuMoK, o museu de arte contemporânea, e depois o Leopold, com um impressionante colecção de arte moderna, nomeadamente de Gustav Klimt e de Egor Schille. Almocei num restaurante de 'asian nouvelle cuisine', tentei ir ao museu Albertina, mas desisti porque a fila era enorme, e acabei por ir passear para a zona da Universidade, especialmente porque queria ir à Berggasse conhecer a livraria Lowenherz (com uma apreciável disponibilidade de livros em inglês) e o Café Berg, que fica ao lado.