November 23rd, 2008

rosas

áustria, 2008 / 1

15.11.08
(23:00)

Cheguei a Viena às seis da manhã de ontem, 14 de Novembro, e pouco mais de uma hora depois estava a encontrar-me com a C. na estação de Praterstern. Fomos para casa dela, tomar o pequeno-almoço (como viajei numa low-cost tive de pagar a sandes e o sumo). Tornámos a sair, fomos de metro até MuseumsQuartier, tomámos um café uma Oberlaa e fomos para o serviço dela, para uma visita rápida. Felizmente, como é sexta-feira e aparentemente os austríacos (estes, pelo menos) não trabalham à sexta-feira, estava praticamente às moscas e fui poupado a ter de interagir com o pessoal.
Depois fomos para o Naschmarkt, ver as bancas do mercado das comidas e admirar as fachadas dos prédio Otto Wagner, descemos até Karlsplatz, a Casa da Secessão, as estações do Otto Wagner (outra vez), e depois pela Opera, Albertina, até à Stephansplatz e ao Dom. Almoçámos num restaurante italiano, fomos à estação de West Bahnhof compara os bilhetes de comboio para Salzburg e fomos passear para o parlamento e para a Rathaus, com a mais famosa feira de Natal de Viena (e o mais famoso cheiro, melhor pivete a gluhwein).
Primeira emoção particular: reparei que mesmo em frente à Rathaus, ao lado de um dos principais teatros de Viena, o Bergtheatre, fica o Cafe Landtman. Há onze anos estive dois ou três dias em Viena, numa viagem de grupo. No segundo dia eu e uma amiga minha muito especial, escapámos da excursão e dos palácios barrocos e fomos passar a tarde para o Landtman, comer Schnitzel, strudles e beber cafés. Essa tarde de rimanço total era do que melhor me lembrava dessa passagem por Viena, e não me conseguia lembrar do nome do café até o ver ali bem iluminado à minha frente. Claro que fomos lá, comi um apflestrudel com molho quente de baunilha e telefonei à minha amiga a dizer que estava no 'nosso' café. This foolish things remind me of you, como na canção famosa.
Depois fomos a pé de novo até ao centro com passagem pela monumentalidade quase esmagadora de tão grandiosa, do Hofburg, mesmo na noite já cerrada das cinco da tarde.











Hoje levantámo-nos às seis e meia para apanhar o comboio para Salzburg. Quando veio o revisor descobrimos, em alemão, que a rapariga da bilheteira, ontem, nos tinha feito a reserva de dois lugares (seis euros cada reserva) mas apenas tinha vendido um bilhete! Curiosamente o bilhete que o revisor nos vendeu, na hora, foi mais barato do que o comprado na bilheteira, na véspera. Vá savoir (em alemão da Áustria, claro!)
A hospedaria que a C. nos reservou em Salzburg (Gasthaus Hinterbruhl, estabelecida em 1380, renovada em 1987. Juro!) fica privilegiadamente situada, mesmo junto à cidade velha. Infelizmente, esse é dos poucos privilégios de que se pode gabar. Tinhamos pedido, na reserva, expressamente um dos quartos com casa de banho (a 70 euros, o mais caro dos disponíveis); pois bem, deram-nos um quarto quádruplo, no último piso (o Hinterbruhl orgulha-se de não ter elevador), com dois quartos, sala de estar e jantar comum, e uma casa de banho... sem retrete. Essa ficava num dos toiletten que se distribuem estrategicamente ao longo da escada até ao terceiro andar. E já que estou com a mão na massa, que o mesmo é dizer na merda, lavro ainda o meu protesto contra as sanitas que maioritariamente se usam na Áustria. Nem consigo descrever bem a coisa, mas basta dizer que em vez do tradicional funil, estas têm uma espécie de prateleirinha exactamente no sítio onde o utilizador deposita o seu dejectável presente. Uma coisa horripilante de deselegância, para a qual não descortino nenhum explicação digamos que natural, a não ser uma sanitária curiosidade em poder mirar, e quem sabe mesmo analisar, os patéticos testemunhos da nossa triste condição animal. Ou seja, e perdoem-me o francês, para podermos olhar o nosso próprio cagalhão. Disse!





Recompostos do choque, e muito divertidos com o quarto e a sua decoração a fugir do kitsch para o piroso propriamente dito, fomos passear para a altstadt, a cidade velha, cheia de igrejas e de palácios barrocos, uma centro histórico maravilhoso, declarado património mundial da Unesco. A sensação é a de que estamos num filme, e nem sequer estou a falar do Sound of Music, mas uma coisa assim saída da memória do tempo, com capas esvoaçantes a fugir pelas sombras das ruas sinuosas, palácios sumptuosos escondidos por fachadas massivas de pedra, cidade de arquiduques e arcebispos, e de rainhas sofridas e implacáveis. Ou então apenas a cidade do génio, Mozart em todas as paredes, as tabuletas indicando onde nasceu, onde viveu, onde tocou pela primeira vez este concerto ou aquela sonata.
Subimos o funicular até à fortaleza, ninho de águias num penhasco que domina a cidade, visitámos a Residenz, e o museu da casa onde Mozart nasceu (a geburtzhaus), onde iconografia vária convive com criações do encenador Robert Wilson, que tentam dar uma dimensão diferente, mais libertadora e estimulante, que a simples e tradicional perspectiva museulógica.
Almoçámos num restaurante, o Zum Mohren, que tinha comida austríaca, indiana e italiana (eu comi salsichas grelhadas com choucrute) e jantámos numa cervejaria (schnitzel).