November 12th, 2008

rosas

da crueldade

Abomino a crueldade, que é uma das formas mais abjectas de cobardia. A crueldade nasce sempre de um enraizado sentimento de inferioridade, que explode em violência quando sentimos que o outro está enfranquecido e portanto à nossa completa mercê. Em muitos casos essa violência é física, como quando alguém está caído no chão e todos aproveitam para ir lá molhar a sopa, geralmente ao pontapé porque é a melhor forma de evitar a proximidade. Mas igualmente cobarde (se calhar mais, porque até tem horror ao contacto físico) é a crueldade que se infringe através da humilhação. Quando sentimos que alguém é frágil, de uma fragilidade que a torna ridícula aos nossos olhos, sobe-nos o fel à boca e divertimo-nos, ou pseudo-divertimo-nos porque de uma macaqueação se trata, a humilhar e a insultar o outro. O anonimato, que tantas vezes vem agarrado, apenas torna a cobardia mais patética e miserável, mas não está na sua essência. O que define a cobardia é mesmo o abuso da posição dominante, o maltratar o outro porque nos sentimos mais fortes do que ele e assim nos vingamos da raiva de o julgarmos melhor do que nós.