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obama, a revolução
rosas
innersmile
Admito que perdi um bocado o interesse nas eleições presidenciais norte-americanas desde que Hillary Clinton perdeu as primárias democratas. Sou muito conservador em política (apesar de ser de esquerda), e talvez por isso nunca me empolguei com o discurso de Obama, demasiado evangélico para o meu gosto.

Por isso para mim o mais importante era tirar a administração Bush da Casa Branca o que, pela lei da limitação dos mandatos, estava garantido. Apesar de sentir simpatia pelo John McCain, a escolha de Sarah Palin para vice foi desastrosa e, pior do que as gaffes, os negócios obscuros e o estilo cheerleader, para mim o perigo era dar mesmo a sulipampa ao McCain e aí tínhamos a quadrilha de regresso com a Sarah.

Há duas coisas que verdadeiramente me impressionam nesta manhã pós-eleitoral. A primeira é o facto de pela primeira vez os EUA terem um presidente afro-americano. Pode parecer pouco, mas temos de nos lembrar que a escravatura negra foi abolida, nos Estados Unidos, há cerca de 150 anos. Já foi no meu tempo de vida, há cerca de 40 anos, que Martin Luther King foi assassinado por liderar a luta pelos direitos civis do afro-americanos. Para todos os efeitos, e apesar de tudo o resto, a supremacia branca acabou oficialmente.

A outra nota tem de ir para os americanos, que elegeram Barack Obama. Apesar de alguma histeria europeia, o yes we can, como agora o yes we did, referia-se aos americanos. Não foram os europeus que puseram Obama na Casa Branca, foram os americanos. Exactíssimamente os mesmos a quem os europeus passaram os últimos 8 anos a insultar, tratando-os com desprezo e insolência. É grande a nação americana, e isso vê-se na maneira como se suplanta a si própria, como se ultrapassa. Isso viu-se, enfim, no modo como aceitou a revolução Obama e lhe deu uma oportunidade. O grande desafio de Obama vai ser não desiludir, estar à altura. Provar que a realidade é feita da mesma matéria do sonho.
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