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it's bananas
carmen
innersmile
A amiga te-amo-azul chamou-me a atenção para um documentário sobre a vida da Carmen Miranda, intitulado CM: Bananas Is My Business, realizado em 1995 por Helena Solberg e por David Meyer, sendo a primeira uma brasileira residente nos Estados Unidos, tal como a própria Carmen.

O filme é muito interessante sobretudo porque tenta raspar um pouco para além dos clichés superficiais que rodeiam a imagem e até a biografia de Carmen, mostrando como de certa forma ela ficou um pouco prisioneira dessa imagem, e como, pelo menos na fase final da sua vida (essencialmente depois do final da segunda guerra mundial), as coisas nem sempre se passaram com o glamour que pareciam ter. Mas fá-lo sem pôr em causa a importância de Carmen Miranda no eclodir da música popular brasileira, e o seu papel de estrelíssima de Hollywood, antes tentando perceber o que é que em Carmen e no seu percurso de vida levaram a esses lugares tão preponderantes na história da cultura popular.

Para além disso o filme é riquíssimo em acervo documental, nos clips de imagens de arquivo (fotografias e filme), nas trilhas sonoras, e sobretudo nos depoimentos que apresenta, que são todos de primeiríssimo nível, quer pela sua importância quer pelo interesse que revestem, quer até pela oportunidade. Destaco, de cor, os de Mário Cunha, que foi o primeiro (e dizem que o maior) amor de Carmen, de Aloysio de Oliveira, seu companheiro musical e na aventura de Hollywood (e também nos amores) ou de Aurora Miranda, a irmã de Carmen que chegou a ter uma carreira de cantora quase tão promissora como a dela (para quem não saiba, Carmen e Aurora eram as famosas Cantoras da Rádio, uma canção e um número musical com estatuto de mito na história da música popular brasileira).

O meu testemunho preferido, todavia, é o de Synval Silva, sambista emérito, um dos compositores favoritos de Carmen, cuja profissão era mecânico de automóveis e que fazia muitas vezes de motorista de Carmen. É um testemunho muito comovente, que nos dá a exacta medida da importância de Carmen neste tempo, e neste lugar, o Rio de Janeiro, fundador da música popular no Brasil.

Só mais uma nota a propósito de Bananas Is My Business. O filme de Helena Solberg, entre imagens de arquivo e depoimentos, tem ainda peças de reportagem (uma delas em Portugal, a propósito das origens de Carmen) e pequenos apontamentos fílmicos que pretendem apresentar, sob a forma de fantasias, momentos marcantes da vida de Carmen Miranda. E curiosamente nestes apontamentos quem dá corpo e rosto a Carmen é Erik Barreto, um famoso artista de travesti (transformismo, como se diz no Brasil) que vem da década de oitenta, o eldorado do travestismo no Brasil.


O filme Carmen Miranda: Bananas Is My Business está disponível no YouTube, dividido em 10 partes. Para não carregar muito aqui a página com os próprios clips, aí ficam os links para as páginas respectivas.

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8
Parte 9
Parte 10