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estação seca . 18/25
a_seco
innersmile
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Voltas-te para o lado de dentro de uma noite que não principia nem acaba. Primeiro, traças o plano à tua frente, portas-te como um animal racional, avalias as tuas chances, municias-te, és um belo e invencível pedaço de madeira. Mas depois queima-te a agonia das horas e o teu choro torna-se ensurdecedor. Escorres baba pelos passeios das ruas, procuras o amor em todos os sítios errados, e imolas-te, hora após hora, no altar dos falsos deuses que escolheste. És um pássaro morto, que sobrevive apenas na vaga lembrança das penas, das asas, dos caminhos perdidos, dos beirais onde pousaste o teu olhar venenoso, da ideia enfim da exaustão, que acolhes como se fosse o cumprimento de uma promessa. É falso, tu bem o sabes, mas ao menos assim adias a agonia e o confronto. Adormeces.
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