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morte em carinthia
rosas
innersmile
Tenho acompanhado mais com curiosidade do que com a atenção (ultimamente toda a minha atenção tem sido gasta profissionalmente) as histórias à volta da morte num acidente automóvel de Jorg Haider, o lider da extrema-direita austríaca. O evoluir da história tem sido interessante: primeiro, o acidente a alta-velocidade, depois a condução sob efeito do alcoól, a seguir a notícia de que tinha sido visto num bar gay nas horas que antecederam o acidente, e finalmente a revelação de que tinha tido uma discussão com o seu lugar-tenente no partido que também era seu namorado. Isto apesar de Haider ser casado e ter duas filhas. O dito namorado, que tinha sido nomeado líder do partido, assume que eram amantes e é substituído de imediato. Finalmente a viúva parece vir pedir uma nova autópsia do corpo de Haider sob suspeita de ele ter sido drogado e, nesse caso, a sua morte poder prefigurar um caso de homicídio. Enfim, uma daquelas histórias em que a realidade parece ultrapassar em imaginação e delírio a ficção mais desenfreada.

Um dos aspectos que me despertou o interesse nesta história foi a ligação da extrema-direita à homossexualidade. Lembrava-me de que já tinha escrito aqui sobre isso e de facto encontrei uma entrada, datada de 18 de Agosto de 2004, em que escrevi sobre um artigo na Attitude que se debruçava sobre esse inquietante link entre a direita e os nacionalismos e a homossexualidade. É engraçado porque no artigo, e como refiro no texto, se falava precisamente no Jorg Haider como um dos casos "suspeitos" e eu acrescentei entre parentesis de que me parecia que não passava de uma insinuação! Pois, pelos vistos era mais do que isso.

Esta referência já antiga vem, por seu lado, confirmar aquilo que li agora no site do jornal inglês The Independent, que a homossexualidade de Haider (ou, enfim, a sua bissexualidade) era já conhecida. Mas independentemente dos laivos de novela austríaca de todos estes desenvolvimentos ´post-mortem' (se não fosse uma certa morbidez gélida e arrepiante, e se os protagonistas fossem mulheres, quase poderia ser uma história almodovariana), não deixa de ser sinalizável mais esta ligação, que pessoalmente acho perturbadora e inquietante, entre a homossexualidade e a extrema-direita, nomeadamente a nacionalista.
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