?

Log in

No account? Create an account

saramago e miranda
rosas
innersmile

Desafiado por um amigo, que se reviu, pessoalmente, no livro por causa de um problema profissional, estou a ler o Ensaio Sobre a Lucidez, do José Saramago. O livro funciona como um espelho de Ensaio Sobre a Cegueira: desta vez não foram os cidadãos que perderam a luz da razão, pelo contrário é neles que reside a lucidez do título. Quer dizer, pelo menos até aos dois terços do livro, que é onde vou neste momento.
Mas o que me levou a falar já do livro é referir uma coisa que habitualmente me acontece com os livros do Saramago, que é eles impressionarem-me muito, influenciarem o meu humor, alterarem-me os estados de alma e inclusivamente meterem-se pelos meus sonhos dentro.
Com este aconteceu uma coisa curiosa: ler o livro durante a semana em que, mais uma vez, se agudizou a crise financeira internacional, acompanhando o crash bolsista, e o clima de pânico que se instalou nos media e nos governantes e agentes económicos, fez com que eu tenha passado a semana toda num estado de agitação e ansiedade, como se estivesse sempre à espera de uma catástrofe que está iminente.


Ainda a propósito de livros. Aqui há uns dias, uma ou duas semanas talvez, grassou por aí (‘aí’ basicamente é a blogosfera e os jornais) grande indignação por causa da decisão da Fnac em ter suprimido o desconto de 10% que, desde o início da sua operação em Portugal, aplicava sobre o preço de editor de todos os livros que vendia. Apesar de eu achar que a Fnac nunca foi uma organização filantrópica que se dedicava ao estímulo à leitura, confesso que também me passou pela cabeça (mas felizmente não pela tecla) escrever uma arengazita contra o gigante francês do comércio cultural. Tanto mais que a livraria da loja de Coimbra é pouco mais que miserável, sobretudo na secção de literatura em geral, ficção em particular.
Acontece que, como acho que já referi aqui, andei desesperadamente à procura da biografia que Ruy Castro escreveu sobre Carmen Miranda. Encomendei o livro na minha livraria preferida do momento, a Almedina do Estádio, para, ao fim de um mês, receber um telefonema a dizer que o livro estava esgotado e portanto a minha encomenda era cancelada. Mais por descargo de consciência do que por outra coisa, a semana passada, no Sábado se não estou em erro, passei pela Fnac e encomendei o livro. Ontem recebi uma SMS a dizer que a minha encomenda tinha chegado e que tinha um mês para a levantar. Claro, agradeci logo interiormente à misteriosa ou prosaica razão que me levou a não escrever texto nenhum a arrear na Fnac, que, só por causa disto, foi logo reabilitada, pelo menos aos meus olhos.
Claro que tudo isto serve para dizer que sou o feliz proprietário de um volume tamanho xxl, com uma capa horrorosa, mas a que estou cheio de vontade de deitar o dente (no livro, não na própria Carmen). Acho francamente que um dia destes o innersmile corre o sério risco de fazer o «south american way. ai ai ai ai é o canto do pregoneiro, vende prá iôiô vende pra iáiá, in the south american way»