September 23rd, 2008

rosas

ripley francês

Ontem à noite fui jantar a casa dos meus pais e, ao serão, pus-me a zappar nos milhares de canais de televisão que tem a box, até parar, como é hábito, no canal Arte, o único que lastimo não ter. Estava a dar um filme com um Alain Delon novísismo e superlativamente belo, e passados poucos minutos percebi que estava a ver a primeira versão do romance Talentoso Mr. Ripley, da Patricia Highsmith, um filme realizado por René Clément em 1960 (uns meros cinco anos depois do livro ter sido publicado), com o título original Plein Soeil.
Vi apenas pouco menos de uma hora de um filme que dura mais de duas, mas fiquei completamente rendido. Apesar de não ser, em termos de história, completamente fiel ao livro (nomeadamente o final, que é mais convencional e de sentido oposto ao desenlace do romance de Highsmith, e que foi a única nota negativa que vi), o filme capta com grande eficácia a atmosfera de Highsmith, de tal forma que ao ver as imagens parecia que estava a ver a transposição não só das cenas do livro, como das próprias palavras escritas por Patricia Highsmith. Os cenários, os décors, os figurinos, os adereços, tudo era fortemente evocativo das páginas do romance. E então o Alain Delon, bem, era a verdadeira encarnação de Tom Ripley, se bem que não tenho a certeza de o herói da Highsmith ser assim tão jovem e tão bonito.
Já vi, acho eu, todas as versões do Tom Riply que se fizeram. Claro, a mais famosa, e de certo modo a que eu achava mais conseguida, era do filme de Anthony Minghella, com o Matt Damon e o Jude Law, por ser a que me parecia captar melhor a marca de Patricia Highsmith. Mas depois de ver este Plein Soleil (enfim, só metade, que vontade que eu tenho de arranjar o filme inteiro!) e o Alain Delon, não tenho dúvidas de que é a melhor e mais conseguida personificação de Ripley no ecrã.