September 21st, 2008

rosas

ironias

E já que estamos com a mão na massa a dar traulitada ao PS, aí vai mais uma: chama-nos a atenção o JPT, do blog Ma-schamba, de que o partido do governo fez aprovar esta semana uma alteração ao sistema de voto dos emigrantes, acabando com o voto por correspondência. Como já faço parte do grupo dos animais que são menos iguais que outros, aproveito para dar aos emigrantes portugueses as boas-vindas ao grupo dos cidadãos excluídos da cidadania plena. O que não deixa de ser uma curiosa ironia.

Mas o Oscar das ironias, na semana que passou, vai para a decisão da administração federal dos EUA de injectar dinheiro no mercado dos investimentos com o intuito de travar (ou pelo menos amortecer) a queda dos bancos financeiros de investimento.
A primeira ironia é a de auxiliar os especuladores financeiros que, por causa da sua ganância ávida e desenfreada, foram os principais responsáveis pela própria crise de que são vítimas.
Mas a mãe de todas as ironias está mesmo no facto de os arautos do capitalismo mais desenfreado, do menos Estado melhor Estado, da redução da intervenção estatal ao mais basal dos níveis, o próprio rosto da mão invisível e perfeita do capitalismo, em suma, de repente desatar a defender a intervenção do Estado para salvar os especuladores financeiros.
Caso tenha passado despercebido, o capitalismo virou, nesta semana que passou, mais uma página. Já não é, já não pode ser, mais o que era. Podemos ainda não saber como vai ser amanhã, mas seguramente já não é o que era até há oito dias atrás.